17 de Dez de 2018

Por não apresentar sintomas, a ambliopia é difícil de ser detectada, mas seus males podem ser prevenidos com sucesso quando diagnosticada

ambliopia

A ambliopia é uma doença da infância: acontece nos primeiros anos de vida, quando o desenvolvimento ocular ainda não está consolidado (Foto: Divulgação)

O desenvolvimento das funções visuais não se encerra no momento do nascimento. Ao longo dos primeiros anos de vida surgem novas sinapses que irão compor a via ótica. Trata-se do processo progressivo de aprimoramento da visão. Aos cinco anos, a criança tem a visão praticamente igual a de um adulto. No entanto, ela continua desenvolvendo funções mais refinadas até os nove anos, em um período que funciona como de aprendizado da visão.

Enquanto as propriedades específicas da visão se desenvolvem, é fundamental que estímulos luminosos adequados cheguem até a retina. Esses estímulos são enviados ao córtex visual, que nos primeiros anos de vida ainda não está totalmente desenvolvido. O objetivo, então, está na formação de sinapses da via óptica.

O desenvolvimento das funções visuais também é conhecido como “período crítico”, já que o córtex visual apresenta maleabilidade da conexão entre as vias aferentes e a unidade cortical. Com plasticidade sensorial, essa ligação é sensível às mudanças e aos estímulos do meio externo.

Se as retinas recebem imagens discordantes, o cérebro escolhe a melhor imagem vinda de um dos olhos e apaga a percepção do outro. A essa disfunção atribui-se o nome deambliopia, ou como é popularmente conhecido, olho preguiçoso. Em geral, a ambliopia afeta apenas um olho, mas não está eliminada a possibilidade de ser bilateral. É o que acontece em casos de astigmatismo ou hipermetropia de alto grau ou de aparecimento precoce.

Condições da ambliopia

As causas que levam à ambliopia atuam durante o período crítico de desenvolvimento da visão, até os nove anos. Se as funções visuais estão consolidadas, não haverá desenvolvimento de olho preguiçoso.

Um dos fatores impulsionadores da ambliopia é a assimetria sensorial dos olhos, como acontece em casos de estrabismo. Em razão de um desvio ocular, a criança passa a perceber imagens desiguais de um mesmo objeto. Por conta do incômodo, o cérebro apaga a imagem recebida do olho desviado e, ao deixar de ser usado, ele poderá perder de acuidade visual ou até mesmo chegar à cegueira. Essa supressão cortical configura um caso de ambliopia por desuso.

Como diagnosticar e tratar

A ambliopia é conhecida por ser “enganadora”. Apesar de acontecer por problemas no desenvolvimento, a patologia não apresenta defeito orgânico capaz de ser detectado em exame oftalmológico. Por ser uma disfunção unilateral, na maior parte dos casos a criança enxerga mal em um dos olhos, mas acaba compensando com o outro. Por isso, aparenta não haver problemas, uma vez que o desempenho nas atividades diárias não é comprometido.

O diagnóstico de ambliopia geralmente leva em conta apenas a redução da acuidade visual – principal manifestação clínica. Contudo, outros parâmetros do desempenho visual podem ajudar no diagnóstico. Entre eles: sensibilidade ao contraste, localização espacial ou desempenho acomodativo.

Além disso, é importante averiguar se a criança segura os objetos muito próximos para enxergar melhor, se esfrega demais olhos e se não tolera muito a luz. Há ainda outros alertas, como olhos desviados ou cruzados, um olho menor que o outro ou olhos que tremem.

O principal tratamento é a oclusão. Como meio mais barato e simples, é feita pelo tratamento oclusivo do olho bom. Nesse caso, o olho normal é tapado para fazer a criança estimular a visão do olho mal desenvolvido. A conduta mais indicada ao tratamento é levar em consideração a faixa etária do paciente.

Até 1 ano de idade, oclusão alternada. Entre 1 e 2 anos de idade, ocluir por dois dias o olho saudável e um dia o olho amblíope. Entre 2 e 3 anos, ocluir por três dias o olho saudável e dois dias o olho saudável – e assim por diante.

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