27 de Mai de 2022

Cuidados especiais com a visão podem melhorar a qualidade de vida das pessoas com essa condição genética

Celebrado hoje, 21/3, o Dia Internacional da Síndrome de Down tem como objetivo conscientizar sobre a importância da luta pelos direitos igualitários, bem-estar e a inclusão dessas pessoas na sociedade. A síndrome é causada pela trissomia do cromossomo 21 — uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais, o que quer dizer que essas pessoas têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população. De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 300 mil pessoas com essas condições. "Indivíduos com essa condição genética tem características específicas como o epicanto (uma prega de pele da pálpebra superior) e a fissura palpebral oblíqua (que torna os olhos puxadinhos). Além disso, os problemas de visão tendem a acontecer com mais frequência e, às vezes, de uma forma mais acentuada. Por essa razão, é aconselhável que todas as crianças com síndrome de Down façam exames de rotina com maior frequência", explica o oftalmologista Dr. Natanael de Abreu Sousa, especialista em Estrabismo e Neuroftalmologia.

Entre as disfunções oculares mais comuns que ocorrem em pessoas com síndrome de down estão os erros de refração (hipermetropia, astigmatismo e miopia), blefarite (inflamação nas margens das pálpebras), lacrimejamento (em razão da obstrução do canal lacrimal ou pelo mal posicionamento dos cílios); nistagmo (movimentos involuntários e repetitivos dos olhos que podem resultar em redução da acuidade visual), anomalias de íris (manchas de Brushfield) e estrabismo (quando os olhos apontam para direções diferentes, de vez em quando ou constantemente). "Apesar de afetar cerca de 20% das crianças com síndrome de down, geralmente o estrabismo é mais difícil de reconhecer por causa da aparência distinta das pálpebras", afirma o Dr. Natanael.

Mais comum em pessoas idosas, a catarata também é um quadro que pode se desenvolver precocemente nas pessoas que apresentam a alteração no cromossomo 21. De acordo com o oftalmologista, o Teste do Olhinho, feito nos recém-nascidos, pode detectar, entre outros problemas que podem acarretar perda da visão, a catarata congênita. "Alguns bebês podem até mesmo perder a visão do olho atingido caso o problema não for identificado desde o início e submetido à cirurgia", afirma o especialista. "Quanto mais cedo a criança com síndrome de down iniciar as consultas ao oftalmologista, melhor, já que a visão tem influência direta na aprendizagem e desenvolvimento neuropsicomotor", ressalta o especialista.

Cerca de 40% das crianças com Síndrome de Down em idade pré-escolar têm hipermetropia, que pode estar associada a um estrabismo convergente; 14% são míopes, conseguem ver objetos próximos, mas têm problemas para ver à distância; e 30% têm astigmatismo, quando a imagem vista é distorcida porque fica mais fora de foco em uma direção do que na outra. O médico observa que, independentemente de terem problemas de refração, muitas crianças com síndrome de Down têm dificuldade em focalizar objetos próximos e precisam usar óculos com mais frequência que o restante da população. "A maioria das condições são tratáveis, seja por uso de óculos, tratamentos médicos específicos ou intervenção cirúrgica. No entanto, o diagnóstico precoce melhora o prognóstico das doenças. Por isso, é preciso reforçar que a primeira consulta oftalmológica deve se realizar o quanto antes, durante os três primeiros meses de vida, se repetir aos seis e 12 meses e anualmente daí para frente", finaliza o Dr. Natanael Sousa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty