16 de Set de 2021

Estudo mostra que a superfície do olho tem duas enzimas de entrada do coronavírus que facilitam a transmissão

O frio é o ambiente ideal para a proliferação de todo tipo de vírus, inclusive do Sars-Cov-2 que transmite o Covid-19. De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, os prontuários do hospital mostram que a higienização das mãos com álcool por conta da pandemia diminuiu em 20% os casos de conjuntivite viral atendidos pelos consultórios nos últimos dois meses, comparado ao mesmo período de 2019. A má notícia é que nos meses mais frios a irritação nos olhos aumentou em 35% dos pacientes que chegam ao hospital usando a sobra do colírio de um familiar. “Compartilhar colírio nunca foi boa ideia porque cada pessoa tem uma flora bacteriana e 30 dias depois de aberto todo colírio perde a validade”, afirma Queiroz Neto.

Em meio à pandemia o risco é redobrado. “Basta tocar o bico dosador no olho para pegar Covid-19 caso a outra pessoa tenha o vírus alojado no olho. Isso porque, estudo publicado na Nature Medicine mostra que a superfície ocular tem duas enzimas de entrada do coronavírus, a ACE2 e a TMPRSS2”, salienta. Estas enzimas permitem a sobrevivência do Sar-Cov-2 por 27 dias na lágrima que forma a barreira de proteção entre o olho e o ambiente. Por isso, até uma pessoa sem nenhum sintoma de Covid-19 pode transmitir o vírus quando compartilha colírios, toalhas, fronhas ou cosméticos. A infecção pode também atingir o sistema respiratório através do canal lacrimal que interliga o olho ao nariz. O oftalmologista destaca que apesar disso, três estudos divulgados pela Academia Americana de Oftalmologia revelam que a conjuntivite viral só acontece nos casos graves de Covid-19.

Causas

Para Queiroz Neto este é segundo fator que explica o porquê da queda nos atendimentos de conjuntivite viral nos últimos dois meses da pandemia nos hospitais especializados. As doenças externas predominantes neste período foram a síndrome do olho seco e conjuntivite alérgica. "A estiagem e poluição originam estas alterações", pontua. O olho seco é uma alteração na quantidade ou qualidade da lágrima que desequilibra a imunidade da superfície do globo ocular. Os sintomas são vermelhidão, ardência, visão embaçada, coceira e maior sensibilidade à luz.

Já a conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva, membrana que recobre a esclera, parte branca do olho, e a face interna das pálpebras. O especialista destaca que a conjuntivite alérgica não é contagiosa, mas pode levar ao ceratocone, doença que afina a córnea, por causa da coceira no olhos. A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que 7 em cada 10 pessoas desenvolvem alergia nos olhos simultânea às doenças respiratórias como rinite, sinusite, bronquite ou asma que triplicam nos meses mais frios.

Tratamento

O tratamento do olho seco é feito com colírio lubrificante, mas não vale usar qualquer um. Isso porque a lágrima tem três camadas e cada colírio age sobre uma delas. “Quando a causa é o bloqueio de uma pequena glândula na borda da pálpebra responsável pela produção da camada gordurosa que impede a evaporação da lágrima, o tratamento mais efetivo é a aplicação de luz pulsada que desobstrui esta glândula”, afirma o médico. A conjuntivite alérgica é tratada com colírio anti-histamínico nos casos mais leves e com corticoide nos mais severos. O médico adverte que o uso prolongado de colírio com corticoide predispõe ao glaucoma e à catarata. Por outro lado, a interrupção do uso não pode ser repentina para evitar efeito rebote. Por isso, embora a venda seja livre, o medicamento só deve ser usado sob supervisão médica.

Prevenção

As dicas do oftalmologista para prevenir o olho seco e a conjuntivite alérgica no frio são:

·         Beber água com frequência;

·         Colocar vasilhas com água nos ambientes;

·         Adicionar na alimentação nozes, semente de linhaça, salmão e sardinha que são ricos em ômega 3;

·         Evitar o uso de aquecedores ambientais;

·         Manter os ambientes livres de poeira;

·         Desviar os olhos das telas eletrônicas por 5 a 10 minutos a cada hora;

·         Piscar voluntariamente quando usar o computador ou tablet;

·         Proteger os olhos da poluição com óculos apropriados nas atividades externas.

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier