18 de Abr de 2021

Prontuários apontam agravamento do ceratocone em 48% dos pacientes que tiveram Covid-19. Entenda

A pandemia de coronavírus é uma ameaça também à saúde dos olhos. O oftalmologista e membro titular do CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia), Dr. Leôncio Queiroz Neto, afirma que qualquer alteração na lágrima pode predispor a duas alterações na córnea, lente externa do olho: uma delas é a ceratite, inflamação que dependendo da gravidade diminui permanentemente a visão. A outra é o ceratocone devido à falta de lubrificação que provoca coceira nos olhos, maior fator de risco desta doença. O problema é que um estudo inglês mostra que o coronavírus causa olho seco em 23% das pessoas contaminadas.

“Não por acaso, os prontuários de 52 portadores de ceratocone atendidos pelo hospital nos últimos três meses, revelam que 25 deles, ou 48%, apresentaram piora depois que tiveram Covid-19”, salienta. O oftalmologista explica que o ceratocone é uma doença degenerativa que geralmente aparece no início da adolescência. No Brasil atinge cerca de 100 mil pessoas. Tende a ser mais progressiva entre os mais jovens. Quanto maior a progressão, mais enfraquece e afina a córnea, fazendo com que tome o formato de um cone. Por isso, inclusive durante a pandemia, o acompanhamento periódico deve ser mantido. “O atraso no diagnóstico pode causar cicatrizes na córnea, irregularidades que dificultam o ajuste das lentes de contato, ceratite, edema e em casos extremos indicação para transplante de córnea que teve uma grande queda de doações e cirurgias na pandemia”, afirma.

Sintomas da progressão

Queiroz Neto afirma que as queixas mais frequentes que indicaram piora do ceratocone depois da Covid-19 nos pacientes analisados foram:

·         Visão embaçada;

·         Dor de cabeça frequente;

·         Maior dificuldade para enxergar.

O oftalmologista esclarece que a visão embaçada nem sempre sinaliza piora do ceratocone. “Quando desaparece espontaneamente ou após pingar colírio lubrificante no olho indica síndrome do olho seco”, afirma. Ainda assim, a consulta oftalmológica é importante para diagnosticar qual camada da lágrima – lipídica, aquosa ou proteica – está alterada. “Isso porque, o colírio lubrificante não é uma aguinha qualquer. Cada um é formulado com substâncias que agem em uma camada específica da lágrima”, pondera.

Outros sintomas elencados pelo médico que podem sinalizar progressão do ceratocone são:

·         Dificuldade de enxergar à noite;

·         Coceira intensa e frequente nos olhos;

·         Alteração constante do grau das lentes de contato ou óculos.

Tratamentos

O único tratamento que interrompe a progressão do ceratocone é o crosslinking, uma cirurgia ambulatorial feita com anestesia local em que é associada a aplicação de riboflavina (vitamina B2) e radiação ultravioleta. Queiroz Neto afirma que segundo estudos quanto mais jovem é o paciente melhores são os resultados da cirurgia. Outros tratamentos elencados pelo médico para escapar do transplante nos casos de córneas mais finas são as lentes esclerais que se apoiam na esclera invés de se apoiarem na borda da córnea, ou o anel intraestromal que melhora a acuidade visual aplanando a córnea.

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier