30 de Nov de 2020

Uso de computadores e celulares pode causar, ou agravar a doença

Causas da miopia vão além da genética

Sabe quando a gente tenta enxergar mais longe e vê tudo embaçado? Não consegue identificar pessoas e coisas a uma determinada distância? A causa dessa dificuldade pode ser miopia, um distúrbio ocular que dificulta a visualização de objetos que estão longe. “A visão embaçada para enxergar objetos de longe é o principal sintoma. Os míopes costumam fechar ligeiramente os olhos para enxergar mais nítido. Podem apresentar dor ocular ou dor de cabeça por forçar a visão”, observa a médica oftalmologista especialista em Córnea, Dra. Ana Cláudia Munemori Mariushi.

A origem da miopia está relacionada principalmente à genética. Isto é, pessoas míopes costumam ter pelo menos um dos pais míopes e, provavelmente, terão um ou mais filhos com miopia também. “Quando ambos os pais são míopes, o risco do filho também ser chega a 60%”, alerta a Dra. Ana Cláudia, acrescentando que, além da genética, há outros fatores de risco. São eles:

  • Leitura prolongada - Crianças que passam muito tempo lendo bem de perto apresentam maior risco de miopia. Excesso de tempo olhando para a tela do computador, de jogos eletrônicos ou assistindo televisão também são fatores de risco;
  • Exposição à luz solar - Nos últimos anos, alguns estudos apontam que as crianças que passam mais tempo em atividades ao ar livre têm menor prevalência de miopia. A falta de exposição à luz solar durante a infância parece, portanto, ser um dos fatores de risco;
  • Trauma - Traumatismos oculares podem causar alterações no cristalino, que levam ao surgimento da miopia;
  • Diabetes mellitus - a miopia que surge na idade adulta pode ser provocada pelo diabetes mellitus, principalmente nos pacientes que apresentam glicemias descontrola-das. “Esse quadro de miopia geralmente é reversível e melhora com o controle dos níveis sanguíneos da glicose”, esclarece Dra. Ana Cláudia.

Rotina em ambientes fechados e muito uso de eletrônicos pode desencadear o problema — Foto: Freepik

Rotina em ambientes fechados e muito uso de eletrônicos pode desencadear o problema

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Segundo ela, a miopia pode ser classificada de acordo com os seguintes tipos:

Miopia axial: surge quando o globo ocular é mais alongado, com o comprimento maior que o normal. Geralmente provoca as miopias de grau elevado;

Miopia de curvatura: é a mais frequente, e ocorre por aumento da curvatura da córnea ou cristalino, o que gera imagens dos objetos antes do local correto na retina;

Miopia congênita: ocorre quando a criança já nasce com alterações oculares, provocando alto grau de miopia, que permanece por toda a vida;

Miopia secundária: pode ser associada a outros defeitos, como a catarata nuclear, após um trauma ou cirurgia.

A miopia mais comum é a baixa, de até três graus. Mas, independentemente do tipo, o diagnóstico é realizado durante a consulta oftalmológica no exame de refração. “A correção da miopia pode ser feita com o uso de óculos, lente de contato ou cirurgia refrativa”, comenta Dra. Ana Cláudia.

Miopia, Astigmatismo e Hipermetropia

Quem nunca conheceu uma pessoa que tivesse miopia com astigmatismo, ou hipermetropia com astigmatismo? Você sabe a diferença entre eles?

De acordo com a Dra. Ana Cláudia, a diferença entre os distúrbios é bem simples: a miopia é a dificuldade de enxergar objetos distantes; já a hipermetropia é a complicação para enxergar objetos muito próximos; por fim, quem tem astigmatismo tem problemas para enxergar com nitidez tanto de perto, quanto de longe. “Não podemos ter os três ao mesmo tempo, podemos ter miopia com astigmatismo ou hipermetropia com astigmatismo. Mas miopia e hipermetropia, ao mesmo tempo, não”, observa.

Fragilidade na retina

A necessidade de manter visitas periódicas ao oftalmologista para controle da miopia tem uma justificativa além de acompanhar a evolução do grau. Pessoas míopes têm maior propensão de descolamento de retina e alterações na retina que podem comprometer a visão. “Uma das características do olho míope é seu tamanho fora do padrão. Dependendo do grau de refração, o olho é mais alongado. Com um globo ocular maior, a retina (fundo do olho) torna-se mais fina e fica mais suscetível ao descolamento”, observa Dra. Ana Cláudia.

Ela explica ainda que, quando corre o descolamento de retina, ela se desprende do fundo do olho. Se não tratada rapidamente, pode causar perda permanente da visão. “Nos olhos com alto grau de miopia também pode ocorrer a Degeneração Miópica. Devido ao alongamento do olho míope, a retina sofre um afilamento progressivo, resultando em atrofia, principalmente da região da mácula, responsável pela visão central, percepção de detalhes e cores, o que acarreta na perda de visão”, completa.

Para evitar o problema, a médica oftalmologista recomenda que os pacientes com alta miopia realizem o exame de mapeamento de retina periodicamente, pois qualquer alteração que indique aumento no risco de descolamento, pode ser tratado com laser periférico de retina, no intuito de criar uma espécie de “barragem” para evitar que a retina se descole.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Portal G1