30 de Nov de 2020

Entenda o que isso significa e quais os tratamentos

Manchas na visão podem ser sinal de moscas volantes

Alguma vez você já viu pequenos pontos escuros, manchas, filamentos, círculos ou teias de aranha que parecem mover-se na frente de um ou de ambos os olhos? Essa impressão é chamada de moscas volantes e é percebida mais facilmente durante a leitura ou quando olhamos fixamente para uma parede vazia. Mas afinal, o que é esse fenômeno? “Moscas volantes são condensações – como pequenos grumos – de um gel que preenche o olho por dentro: o vítreo. Quando essas condensações passam pelo eixo visual, elas parecem pequenas moscas passando pelo centro de visão. Por isso, o nome”, explica o médico oftalmologista especialista em Córnea, Dr. Felipe Roberto Exterhotter Branco.

Embora o nome seja estranho, as moscas volantes são muito comuns, e qualquer pessoa pode apresentar o problema, principalmente quem tem miopia. No entanto, elas são mais frequentes a partir dos 45 anos de idade. O número cresce ainda mais em idosos em torno de 80 anos. Pacientes que, em algum momento, foram submetidos à cirurgia de catarata, retina ou que tiveram doenças como a uveíte (inflamação da úvea, que é a parte do olho que abarca a íris, o corpo ciliar e a coróide) também costumam relatar o aparecimento desse tipo de manchas na visão. “As moscas volantes podem ser recorrentes, surgindo novos focos ao longo do tempo, e os gruminhos já existentes podem persistir por muitos anos”, observa Dr. Felipe. O médico explica que não existe um tratamento eficaz contra as moscas volantes. “Não existe colírio para eliminar as condensações vítreas. Em alguns casos, quando estas são muito densas, é possível reduzi-las com laser”, comenta.

Segundo Dr. Branco, a princípio, as moscas volantes não costumam ser motivo de preocupações. Mas, existe um risco associado, que é o do surgimento de fragilidades na retina.

Principais sintomas das moscas volantes

Apesar do desconforto, o médico oftalmologista esclarece que o acontecimento não é encarado como uma doença, visto que ele decorre de um processo normal do corpo. “É natural que as pessoas se acostumem com isso. O cérebro vai ignorando esses pontos escuros por entender que as ‘mosquinhas’ não fazem parte do mundo real. Então, com o passar do tempo, a pessoa passa a enxergar normalmente e só percebe as manchas se quiser focar nelas”, ressalta.

O aparecimento de moscas volantes no campo de visão não deve gerar preocupação, mas é adequado agendar uma avaliação oftalmológica. “Porém, se também surgirem sintomas como flashes, embaçamento ou grandes manchas pretas na periferia da visão, o pronto atendimento oftalmológico é mandatório, pois estes são sintomas que podem estar correlacionados a quadros mais graves como descolamento de retina.”, orienta Dr. Branco.

E qual o risco para o descolamento da retina?

O médico explica que, quando nascemos, o vítreo é bastante espesso, tal qual uma gelatina. Porém, com o passar dos anos, ele vai ficando mais líquido e menos consistente. Com isso, o vítreo pode se desprender de alguns pontos da retina, formando o que se chama de descolamento vítreo. Em geral, são nestes momentos que surgem as moscas volantes. Caso este descolamento vítreo tracione a retina, formando áreas de fragilidade ou roturas, temos um fator de risco para o descolamento de retina. “O aparecimento de moscas volantes é muito comum, enquanto o número de pessoas com descolamento de retina associado a isso é bem pequeno. Mas sempre é válido realizar o mapeamento da retina, um exame com o olho dilatado, para ter certeza que não existem roturas na retina. Se detectado precocemente, existe tratamento que pode evitar o descolamento da retina”, orienta Dr. Felipe.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Portal G1