22 de Out de 2020

Ar rarefeito provoca a síndrome do olho seco que aumenta o risco de alergia e inflamações oculares. Saiba como proteger sua visão

O ar seco cobre boa parte do País. De acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) esta semana deve variar entre 10% e 30% nas regiões sul, sudeste e centro oeste, bem abaixo dos índices de 40% à 70% preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a nossa saúde.  Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, o efeito mais visível da estiagem é o ressecamento dos olhos, garganta e nariz, mas vai muito além disso. Prejudica todo nosso organismo porque além de lubrificar nossas mucosas, a água é essencial no metabolismo por transportar nutrientes e eliminar toxinas.

Nos olhos o especialista afirma que o período de estiagem dobra o número de pessoas com vermelhidão, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, fotofobia e visão borrada. É a síndrome do olho seco decorrente da maior evaporação da camada aquosa do filme lacrimal que tem a função de proteger a superfície ocular das agressões externas. “A diminuição da lágrima aumenta o risco de alergia nos olhos, principalmente entre pessoas que já sofrem com outras doenças alérgicas como asma e dermatite. "A falta de lágrima também pode facilitar a inflamação da córnea, ceratite, bem como contrair conjuntivite, inflamação da conjuntiva por vírus ou bactéria”, pontua o médico.

Grupos de risco

Mulheres na menopausa, idosos, quem trabalha muitas horas no computador, portadores de doenças autoimunes, quem usa lente de contato ou medicamentos como antialérgico, antidepressivo e diurético são mais propensos à síndrome.

Tratamento

Queiroz Neto destaca que é muito comum pacientes que têm olho seco chegarem ao consultório com um saco de colírios lubrificantes que não resolvem o problema. Ele afirma que isso acontece porque existem vários tipos de colírios lubrificantes que agem nas diferentes camadas da lágrima. "Se o colírio não for adequado à deficiência do paciente é claro que não funciona", pondera. Resultado: quando buscam ajuda médica já estão com uma conjuntivite ou ceratite.

Outro erro comum cometido pela população é pingar soro fisiológico nos olhos para diminuir o ressecamento. “O sal do soro aumenta a irritação. Além disso, a solução não contém conservantes e depois de aberta se transforma em campo fértil para o crescimento de bactérias e fungos que contaminam a córnea e conjuntiva”, alerta Dr. Leôncio.

O tratamento mais avançado para olho seco, observa, é a aplicação de luz pulsada que estimula a produção da camada lipídica. É indicado quando no exame do filme lacrimal é diagnosticada esta deficiência. "Com apenas quatro sessões o tratamento é finalizado", comenta.

Dicas de prevenção

As dicas do oftalmologista  para prevenir o ressecamento da lágrima e a desidratação do organismo são:

·         Beber água com frequência;

·         Incluir na alimentação o ômega 3 encontrado em nozes, semente de linhaça, salmão e sardinha, mais as frutas, verduras e legumes ricos em vitamina A e E que protegem os olhos;

·         Colocar vasilhas com água nos ambientes;

·         Evitar ambientes com ar condicionado;

·         Manter os ambientes livres de poeira;

·         Desviar os olhos da tela do monitor por 5 a 10 minutos a cada hora;

·         Piscar voluntariamente quando usar o computador;

·         Proteger os olhos com óculos apropriados nas atividades externas.

Riscos da automedicação

Queiroz Neto alerta que nenhum colírio deve ser usado sem acompanhamento médico para evitar complicações. Os sintomas do olho seco são muito parecidos com os da alergia ocular e conjuntivite.  Já os tratamentos, são bastante diferentes e em alguns casos as doenças ocorrem simultaneamente. “Usar colírio antibiótico indicado para conjuntivite bacteriana em olhos com alergia piora o processo alérgico que está relacionado à queda da imunidade”, exemplifica o médico.

A doença só não é grave em estágio inicial. Por isso, recomenda consultar um oftalmologista nos primeiros sintomas de desconforto principalmente neste período de pandemia, já que os olhos com baixa lubrificação ficam mais suscetíveis a todo tipo de vírus. A falta de tratamento adequado, conclui, também pode causar cicatrizes na córnea e comprometer severamente a visão.

Fonte: assessoria de cmunicação do Instituto Penido Burnier