24 de Set de 2020

Doença requer atenção e cuidados pois pode levar a manipulação dos olhos e predispor à contaminação por coronavírus

Brasília-DF - Nos últimos seis meses, os brasileiros vêm convivendo com a Covid-19. Entre os meios de transmissão mais comuns do novo coronavírus está o toque em objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Há mais de 100 dias sem chuvas, o Distrito Federal sofre com a estiagem nesse período do ano. E exatamente por serem uma das portas de entrada do vírus, os olhos merecem mais atenção. O alerta é da oftalmologista Dra. Micheline Borges Cresta, especialista em Córnea. O brasiliense deve conviver com dias sem chuva e umidade relativa do ar constantemente abaixo de 20%, até o fim do mês de setembro. "A estiagem contribui para o aumento da Síndrome do Olho Seco, cujos principais sintomas são ardor, ressecamento da superfície do olho, sensação de corpo estranho, como se fosse 'areia', vermelhidão, fotofobia e coceira. O incômodo pode incentivar a pessoa, inconscientemente, a levar as mãos mais vezes aos olhos e isso pode facilitar o contágio pelo novo coronavírus", ressalta a Dra. Micheline.

Além disso, estudos demonstraram que no olho inflamado há mais receptores na superfície das células para o SARS-COV-2. A preocupação da médica se apoia em números. Em 2018, os atendimentos no Serviço de Oftalmologia na Secretaria de Saúde do DF aumentaram em 25% nesse período do ano e a Síndrome do Olho Seco está entre as principais queixas dos pacientes.

A oftalmologista explica que a lágrima tem a função de lubrificar, limpar e proteger o olho das agressões causadas por substâncias estranhas ou microrganismos. A Síndrome do Olho Seco se manifesta quando há uma anomalia na produção ou na qualidade das lágrimas. De acordo com a Dra. Micheline, as causas são muitas, pois a doença está associada a fatores ambientais, idade, uso de eletrônicos, lentes de contatos e medicamentos. Estudo multicêntrico (DEWS II), publicado em 2017, mostrou que a prevalência de olho seco variou de 5% a 50% num mapeamento global. Entretanto, por conta da pandemia, esse número pode se elevar ainda mais. "Com o novo estilo de vida da população, dentro de casa e utilizando cada vez mais os eletrônicos, os cuidados devem ser redobrados. Esses aparelhos reduzem o número de piscadas e isso atrapalha a distribuição regular do filme lacrimal, o que compromete a lubrificação do olho", acrescenta a especialista.

Apesar de não ter cura, existem formas de controle bastante eficazes para o problema, como a utilização de lágrimas artificiais em gotas (colírios) ou, dependendo da gravidade, até mesmo anti-inflamatórios de uso tópico e suplementos alimentares. Em situações específicas é possível fazer a oclusão dos pontos lacrimais, evitando a drenagem da lágrima, que assim permanece na superfície ocular ou aplicar luz pulsada nas pálpebras para melhorar a estabilidade do filme lacrimal. "Só o oftalmologista pode definir o que é mais indicado para cada caso. Além do tratamento, também é fundamental que o paciente reduza o tempo de uso dos eletrônicos, evite exposição excessiva ao sol e ao ar condicionado e adapte a iluminação do local de trabalho em casa. Essas são algumas medidas que podem ajudar a prevenir ou tratar o olho seco", conclui a Dra. Micheline Borges.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty