25 de Set de 2020

Entenda os cuidados voltados para olhos saudáveis por muito tempo

Visão e Síndrome de Down

Você sabia que as crianças com síndrome de Down aprendem mais facilmente com informações visuais? Por isso, qualquer problema de visão pode ter um grande impacto no seu desenvolvimento. Especialistas recomendam que o acompanhamento oftalmológico comece já no nascimento, com exames e avaliações anuais. Hoje, a estimativa é que até 50% das crianças tenham dificuldade para ver de longe, e outras 20% para ver de perto. E até 90% das pessoas com síndrome de Down podem necessitar do uso de óculos. Outros desvios recorrentes são:

  • Estrabismo (desvio ocular): acomete cerca de 38% das crianças com síndrome de Down;
  • Nistagmo: são pequenos movimentos involuntários dos olhos. O tratamento é feito com uso de óculos e tampão, quando necessário;
  • Catarata: em geral é congênita – a criança nasce com ela. O diagnóstico é feito por meio da avaliação do Reflexo Vermelho do bebê (“Teste do Olhinho”), já na maternidade. Neste caso, o tratamento é cirúrgico e precisa ser feito imediatamente, para permitir o desenvolvimento visual da criança.
  • Blefarite: É uma inflamação que afeta a pálpebra, junto aos cílios, provocando coceira e vermelhidão ocular. Em casos mais severos, o tratamento é feito com colírios antibióticos ou com corticoide;
  • Conjuntivite e Obstrução do canal lacrimal: o canal da lágrima tende a ser mais estreito já que, devido à maior frequência de infecções de nariz e garganta nesses pacientes, a drenagem fica bloqueada com facilidade. Isso leva os olhos a lacrimejarem, o que aumenta o risco de infecções. O tratamento é feito com sondagem.

A jornalista Ana Lucia Alge tem uma filha com Síndrome de Down e recomenda o acompanhamento oftalmológico constante. “Na nossa primeira consulta com a Bruninha, ela tinha entre seis e sete meses”, afirma Ana, que hoje é influenciadora digital e no canal @maedepoisde30 conta todas as aventuras da maternidade real. Ela conta, ainda, que a Bruninha não precisou usar óculos até hoje, mas os exames seguem acontecendo anualmente. “Esse cuidado é importante, principalmente na alfabetização”, completa.

A jornalista Ana Lucia Alge tem uma filha com Síndrome de Down e recomenda o acompanhamento oftalmológico constante. — Foto: Ana Lúcia Alge @maedepoisde30

A jornalista Ana Lucia Alge tem uma filha com Síndrome de Down e recomenda o acompanhamento oftalmológico constante. — Foto: Ana Lúcia Alge @maedepoisde30

 

Para Dr. Marcelo Mendes (CRM 17599), oftalmologista clínico e cirúrgico, os pais podem ficar atentos a alguns sinais para entender que é hora de uma consulta:

  • Alteração de comportamento;
  • Olhar não fixa nas pessoas e objetos;
  • Esbarra em móveis;
  • Desvio ocular (estrabismo)

Ceratocone e a síndrome de Down

Apesar de ser raro na infância, o ceratocone pode se manifestar durante a adolescência e afeta entre 10 e 15% dos adultos com a síndrome de Down. Essa doença consiste no afinamento de uma parte da córnea. Este afinamento provoca um aumento na curvatura, resultando na queda da qualidade da visão e na distorção da imagem. O tratamento inclui uso de óculos e lentes de contato rígidas. “A identificação precoce da doença permite acompanhamento e tratamento adequado, minimizando o risco de perder a visão, ou a necessidade de transplante de córnea”, conta Dr. Marcelo Mendes (CRM 17599) . Ele explica que hoje há outras possibilidades de tratamento capazes de melhorar, e muito, a visão de quem tem ceratocone. “A tecnologia permite resultados excelentes, o que representa segurança, precisão e conforto para o paciente”, completa o médico.

Outro ponto importante é que existe uma relação comprovada entre ceratocone e o ato de coçar e apertar os olhos de maneira inadequada. Isso porque, quando coçamos os olhos, o movimento quebra mecanicamente estruturas da córnea, que afina e se curva. No início da doença, a pessoa pode não sentir nada, por isso o diagnóstico acaba sendo tardio.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Portal G1