30 de Nov de 2020

Mais tempo em frente aos dispositivos pode desencadear olhos secos, dificuldade de focar para longe e para perto, cefaleia, entre outros

Telas

A pandemia do novo coronavírus modificou a rotina de muitas pessoas ao exigir que atividades que eram presenciais, como trabalho, aulas, reuniões, exercícios físicos e encontros com amigos e familiares, agora sejam realizadas virtualmente. E o resultado disso são muitas horas por dia em frente às telas de celulares, computadores, tablets e televisores. Por esse motivo, é preciso estar atento à saúde ocular, a fim de evitar possíveis problemas de visão decorrentes do uso prolongado de dispositivos digitais. Dr. Roberto Fischer, médico oftalmologista, afirma que essa superexposição pode causar sintomas como visão turva, olhos secos, dificuldade de focar para longe e para perto, cefaleia, dor nos olhos e, até mesmo, episódios de visão dupla.

Segundo o oftalmologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Dr. Edson Procianoy, a maioria desses sintomas está relacionada ao esforço visual pela atividade de perto. Ele explica que o esforço com o músculo ciliar modifica o cristalino para focalizar a imagem:

  •  Quando olhamos para longe, o músculo está relaxado, mas, quando olhamos algo de perto, o músculo tem que se contrair para que a imagem seja focada. Então, mesmo que a pessoa não tenha nenhum problema de grau, quando ela fica fazendo esse esforço excessivamente, é como se o músculo fosse cansando;
  •  Ao focar nas telas, também é comum que as pessoas pisquem com uma frequência bem menor do que o normal. E, de acordo com Fischer, esse hábito pode deixar os olhos secos;
  • Normalmente, piscamos de 15 a 20 vezes por minuto. Enquanto estamos em frente às telas, esse número pode cair para até cinco vezes por minuto, e isso causa o ressecamento ocular, "já que a função básica do piscar é lubrificar nossos olhos, espalhando a lágrima", esclarece o médico.
  •  Além disso, o uso dos dispositivos por um período prolongado pode fazer com que a pessoa descubra algum problema de grau, como a hipermetropia, já que os sintomas serão mais intensos. Procianoy ressalta ainda que a atividade excessiva de perto tende a aumentar o grau da miopia, especialmente se já existe uma predisposição genética.  

Confira, abaixo, dicas para evitar os sintomas:

  • Piscar com uma regularidade maior - Apesar de o ato de piscar ser uma ação involuntária, pode-se voluntariamente piscar mais vezes durante a utilização das telas para auxiliar na lubrificação dos olhos e, assim, evitar o ressecamento que embaralha a visão;
  • Utilizar colírios lubrificantes - Pessoas que sentem os olhos muito secos podem fazer uso de colírios lubrificantes, que imitam a lágrima. Fisher afirma que todos podem utilizar esse recurso, pois os colírios apresentam poucos ou nenhum efeitos adversos ou colaterais;
  • Focar para longe após algum tempo em frente às telas - Durante a atividade em frente aos dispositivos, o ideal é fazer um pequeno intervalo a cada uma hora, para dar um descanso aos olhos. Procianoy garante que uma pausa de 20 segundos olhando para longe já é o suficiente para dar mais conforto e evitar o ressecamento.
  • Manter a altura adequada - Segundo o professor, alguns estudos indicam que os olhos secam mais quando direcionados para cima. Por isso, é recomendado manter a tela na altura dos olhos ou levemente abaixo.
  • Respeitar a distância mínima - Quanto mais próxima a tela estiver dos olhos, maior será o esforço dos músculos intraoculares para realizar a focalização. Por esse motivo, é importante manter uma distância razoável de 35 a 45 centímetros ao utilizar os aparelhos. 
  • Utilizar uma iluminação apropriada e confortável - Um ambiente bem iluminado é fundamental para o trabalho em frente às telas. No entanto, o reflexo sobre a tela gera desconforto visual, por isso, deve-se posicionar o computador de forma que tenha o mínimo de reflexo possível.  
  • Corrigir erros de refração - Também é importante que, ao perceber os sintomas, a pessoa consulte um oftalmologista para verificar se existe algum grau para corrigir ou até mesmo outros problemas, como o estrabismo latente, que causa dor de cabeça e desconforto.  
  • Outras alternativas - Diante dos sintomas, as pessoas podem ainda utilizar recursos como aumentar o tamanho da letra, para diminuir o esforço de acomodação. Além disso, há alternativas tecnológicas como o filtro azul, que tem como objetivo filtrar a luz ultravioleta. Ele pode ajudar a diminuir os sintomas quando usado junto às outras recomendações.

Fonte: Portal Gauchazh