30 de Nov de 2020

Doença silenciosa causadora de cegueira irreversível reforça a importância do check-up oftalmológico anual

maio verde

Segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta cerca de 900 mil pessoas no Brasil. Trata-se de uma doença grave, cuja perda – irreversível – do campo visual somente é percebida em estado avançado, quando pode já ter comprometido entre 40% e 50% do campo de visão. Por ser um vilão silencioso, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais para conter o desenvolvimento dessa patologia. Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, que tem seu dia D, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio.

“O glaucoma é o principal responsável pela cegueira irreversível no mundo. Sem uma rotina de consulta oftalmológica, a doença se instala e progride lentamente, podendo demorar até anos para que o paciente perceba alguma alteração no campo de visão. Mesmo em tempos de pandemia, é importante as pessoas não deixarem de lado os cuidados com a saúde ocular. A prevenção ainda é a melhor forma de cuidado”, explica a oftalmologista Dra. Regina Cele.

O que é – O glaucoma é uma doença degenerativa – e não contagiosa – que afeta o nervo óptico. A doença tem como principal fator de risco o aumento da pressão intraocular (dentro dos olhos), mas essa não é a única causa. “É importante esclarecer que o termo ‘glaucoma’ não é sinônimo de pressão ocular, ou seja, a doença pode ocorrer mesmo com níveis de pressão normais, o glaucoma de pressão normal. Outros fatores que devem ser considerados são: idade avançada, histórico familiar de glaucoma, miopia elevada e diabetes”, comenta a especialista.

“Deve-se sempre ter hábitos de vida saudáveis e atentar para o uso indiscriminado de colírios compostos por corticoides, facilmente adquiridos nas farmácias e que podem causar glaucoma de difícil controle”, alerta a Dra. Cele. No Brasil, de acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o glaucoma atinge de 2% a 3% dos indivíduos acima de 40 anos. A estimativa é de um crescimento de 50% nos próximos 5 anos.

Para a oftalmologista, a mudança na pirâmide etária, com o envelhecimento da população, favorecerá o aumento não somente do glaucoma, mas também de doenças como o diabetes, que impactam de forma semelhante na visão e qualidade de vida do paciente. “Por outro lado, os avanços científicos e tecnológicos caminham em uma velocidade cada vez maior, e a cada ano novas modalidades terapêuticas surgem com o intuito de ao menos evitar o aparecimento dos sintomas ou a progressão da doença”, diz a Dra. Regina Cele.

Tipos de glaucoma – O Glaucoma Primário de Ângulo Aberto é o principal tipo de glaucoma no Brasil e se caracteriza por ter uma evolução lenta e progressiva, sendo assintomática frequentemente. De forma semelhante, embora mais raro, o Glaucoma de Pressão Normal também é assintomático e pode estar presente em pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Já o Glaucoma de Ângulo Fechado pode causar dor ocular de forte intensidade e perda visual rápida, caso não seja realizado tratamento adequado em tempo hábil. O glaucoma também pode ocorrer secundariamente a: traumatismos oculares, uso de medicações, lesões na retina causadas por complicações do diabetes, inflamação ou tumor. Por fim, há o glaucoma congênito, que afeta bebês e crianças.

O principal tipo de glaucoma no Brasil é assintomático, sem sinais para o paciente nos seus estágios iniciais. A pressão ocular elevada vai lentamente danificando o nervo óptico, levando a uma perda imperceptível da periferia do campo visual. Quando não tratada, a doença avança e os defeitos de campo visual se estendem para o centro da visão, configurando a cegueira. Em jovens, o glaucoma tende a apresentar pressões mais elevadas, justificando em alguns pacientes sintomas como dores de cabeça e a percepção de halos coloridos ao redor de focos luminosos.

Como tratar – Embora não tenha cura, o glaucoma, na maioria dos casos, pode ser controlado com tratamento adequado e contínuo, fazendo com que a perda da visão seja freada. Em adultos, o tratamento é realizado inicialmente uma ou duas vezes por dia, dependendo do colírio prescrito. “O laser poderá ser indicado em algumas situações, a depender do tipo e do estágio da doença. Na falta de sucesso com o tratamento clínico, a cirurgia é indicada e não tem como objetivo a cura do glaucoma, mas, sim, o seu controle por meio da normalização da pressão ocular”, afirma a especialista. “Há a trabeculoplastia seletiva (SLT), o laser indicado para pacientes com glaucoma leve a moderado. Já o iStent é um implante de drenagem angular indicado para glaucomas leves a moderados, em pacientes já operados de catarata ou que têm indicação de cirurgia combinada (catarata e glaucoma)”, conta a oftalmologista.

Também na infância – O glaucoma é um dos principais motivos da cegueira na infância, sendo responsável por até 20% dos casos, de acordo com estudos do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O diagnóstico do glaucoma infantil deve ser suspeitado pelo pediatra ainda na maternidade, logo após o bebê nascer, por meio do simples Teste do Olhinho, ou na primeira infância. “Diferentemente do adulto, o recém-nascido com glaucoma apresenta muitos sintomas, como lacrimejamento, aversão à luz, aumento do tamanho do globo ocular, além da perda do brilho natural dos olhos. Esses indícios podem surgir mais comumente em qualquer momento durante o primeiro ano de vida”, conta a Dra. Cele.

Ao contrário do glaucoma juvenil e adulto, o congênito tem grande chance de cura. O glaucoma congênito deve ser operado com brevidade. Há várias opções de cirurgia: angular (goiniotomia ou trabeculotomia) ou trabeculectomia. É certo que a resposta da cirurgia varia com o quadro clínico da criança e sua gravidade. Na maioria das vezes, o glaucoma infantil vem acompanhado com outras condições sistêmicas ou genéticas que podem dificultar o tratamento.

Quem está no grupo de risco? 

  • Pessoas com mais de 40 anos;
  • Com alto grau de miopia;
  • Que têm diabetes, hipertensão arterial e/ou doenças cardíacas;
  • Com histórico de glaucoma na família;
  • Que sofreram lesões físicas nos olhos;
  • Que fazem uso prolongado de medicamentos com corticoide;
  • Afrodescendentes são mais suscetíveis ao glaucoma, inclusive às formas de mais difícil controle.

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty