05 de Ago de 2020

Questões sobre óculos, lentes, proteção, conjuntivite e teleorientação

Em tempos de pandemia do novo coronavírus (COVID-19), muito se fala sobre proteção e uso de máscaras. Mas como fica o cuidado com os olhos? Especialista em Retina e Vítreo, Neuroftalmologia e Catarata no Hospital das Clínicas FMUSP, a oftalmologista Dra. Thaís Vera Monteiro, do HCLOE, esclarece as principais dúvidas:

  • É possível pegar o coronavírus pelas mucosas dos olhos? Como cuidar para que isso não ocorra?

Sim, é possível pegar o coronavírus através do contato de gotículas ou mãos contaminadas com a mucosa dos olhos. Para não haver contaminação, é importante evitar levar as mãos ao rosto e, quando necessário fazê-lo, higienizar previamente as mãos (lavando-as com água e sabão por ao menos 30 segundos ou utilizando álcool em gel 70%). Também deve-se manter o distanciamento social (distância mínima de 2 metros em caso de pessoas gripadas ou infectadas) e higienizar frequentemente óculos, celulares e objetos que entram em contato com o rosto. 

  • Ao sair na rua, devo proteger também os olhos com um EPI?

De forma geral, o uso de óculos de proteção e protetores faciais está indicado apenas para profissionais de saúde em contato com pacientes com suspeita ou confirmação de COVID-19 e para profissionais da limpeza, pelo risco de respingos de material orgânico ou químico contaminado.

  • E quem usa óculos: quais cuidados deve ter ao retornar em casa? A máscara deve-se tirar com cuidado, pelos elásticos. E os óculos? Como tirá-los e higienizá-los? Posso usar álcool em gel?

Os óculos devem ser manuseados com as mãos previamente higienizadas, evitando tocar o rosto. A higienização dos óculos deve ser feita com água e detergente neutro: passar suavemente nas lentes com as mãos limpas e enxaguar com água corrente, para então secar com papel toalha ou lenço de papel seco, sem esfregar as lentes. Higienizar também as hastes até as pontas. Para os óculos, o uso do álcool em gel 70% não é indicado, pelo risco de danificar as lentes e armações.

  • Muitas pessoas que usam óculos têm reclamado sobre o embaçamento ao utilizar as máscaras. Como evitar o embaçamento?

Existem algumas medidas que ajudam a evitar o embaçamento das máscaras:

Ajustar adequadamente a máscara ao rosto, de forma a minimizar o vão entre a parte superior da máscara e o rosto para evitar que o ar quente expirado suba em direção aos óculos.

Algumas máscaras possuem uma parte mais rígida na porção superior, um clip, que pode ser moldado no rosto.

Nas máscaras de elástico, pode-se torcê-los antes de prender atrás das orelhas para diminuir as alças.

Nas máscaras com cordões para amarrar, é mais eficaz amarrar os cordões superiores na região da nuca e os inferiores na cabeça, passando por cima das orelhas.

Se a sua máscara não permitir uma adaptação adequada ao rosto, o uso de uma fita de micropore na parte superior pode fazer esse ajuste.

Para algumas armações de óculos, é possível deixar a máscara um pouco mais alta (mais próxima dos olhos) e usar o próprio peso da armação dos óculos para fazer a vedação superior da máscara, evitando o embaçamento.

  • Na internet, há dicas como passar sabonete seco nas lentes dos óculos para evitar o embaçamento ao usar máscara. Isso é recomendado do ponto de vista oftalmológico (contato do sabão com os olhos)? Pode danificar as lentes?

O uso de sabão seco seguido da remoção do excesso com um pano seco pode ajudar a não embaçar as lentes por algum tempo. No entanto, alguns tratamentos de lente utilizados pelos fabricantes reduzem a eficiência do método. Além disso, ele pode, sim, danificar o material das lentes.

  • Posso usar lentes de contato em tempos de coronavírus? Quais cuidados de higiene são importantes para quem usa lentes de contato?

O uso de lentes de contato pode ser realizado, desde que isso não faça com que o usuário sinta a necessidade de levar as mãos aos olhos frequentemente. Se for esse o caso, recomenda-se que o uso dos óculos seja priorizado nesse período, como ação preventiva para evitar a contaminação da mucosa dos olhos pelas mãos. Para a correta limpeza das lentes de contato, independentemente se o modelo for rígido ou gelatinoso, é preciso ter uma solução de limpeza específica (soro fisiológico é ineficaz na higienização e água nunca deve ser utilizada) e um estojo para armazená-lo. Antes de tudo, lave suas mãos com um sabonete bactericida e seque-as bem. Para as lentes rígidas, friccione tanto a parte de cima quanto a de baixo com movimentos circulares por cerca de trinta segundos. Enxágue-a com a solução e repita o processo na outra lente. Encha o estojo, já higienizado, com a solução de limpeza e guarde as lentes. Esse processo deve ser realizado todos os dias ao retirá-las e/ou antes de dormir. A limpeza das lentes gelatinosas é semelhante à realizada nas rígidas. A diferença está no produto (que precisa ser específico para ela) e no processo de limpeza, que deve ser menos intenso, pois o material é fino e delicado. O ideal é que se friccione, com muito cuidado, por vinte segundos em ambos os lados. 

  • Com o tempo seco e logo mais a chegada do inverno, quais os cuidados extras que devemos ter com os olhos?

O tempo seco e frio exacerbam os sintomas de olho seco e as alergias oculares, os quais podem induzir os pacientes a uma maior manipulação dos olhos por sintomas de coceira, aumentando o risco de contaminação pelo coronavírus e outras doenças. Nesse período do ano, é importante redobrar os cuidados com a lubrificação ocular e tratamentos antialérgicos específicos indicados pelo oftalmologista, sempre aplicando os colírios e medicações com as mãos previamente higienizadas.

  • Quais são as urgências oftalmológicas e como saberei a hora de procurar um oftalmologista? E quem é do grupo de risco ou não puder ir ao oftalmologista: como a teleorientação pode ajudar nesses casos?

Pacientes apresentando sintomas como piora da visão, dor ocular, olho vermelho, visão de flashes de luz ou sinais de infecção ocular devem procurar atendimento oftalmológico urgente. É importante salientar que pacientes portadores de doenças crônicas, como degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética e glaucoma avançado, não devem interromper seus tratamentos contínuos, sob o risco de piora irreversível da visão. Se tiver dúvidas, não hesitar em procurar o médico (por telefone ou teleconsulta) para, juntos, decidirem a melhor forma de continuar o tratamento.

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty