27 de Mai de 2020

Aumento das atividades online pioram estresse visual. A longo prazo luz azul das telas pode causar graves doenças nos olhos. Entenda

Isolamento

O trabalho home office, reuniões, treinamentos, aulas e eventos online imposto pelo isolamento na pandemia do coronavírus está aumentando o desconforto visual em todas as faixas etárias. Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, a boa notícia é que não se trata de aumento do grau dos óculos ou lente de contato como muitos acreditam ao buscar por exame de refração. Na maioria dos casos é estresse visual ou Computer Vision Syndrome (CVS) decorrente de muitas horas com os olhos fixos nas telas digitais. 

Três levantamentos feitos pelo médico no hospital mostram que o estresse visual nos dispositivos eletrônicos atinge 30% das crianças, 75% dos jovens e adultos com até 40 anos de idade e 90% dos que já passaram dos 40. Os principais sintomas são sensação de areia nos olhos, visão embaçada e dor de cabeça.

Como identificar

Queiroz Neto afirma que, independentemente da idade, o primeiro sintoma é sensação de areia nos olhos e visão embaçada que faz quem usa óculos para corrigir miopia, hipermetropia ou astigmatismo acreditar que o vício refrativo aumentou. “A visão embaça porque na frente dos dispositivos movimentamos pouco o globo ocular e piscamos quatro vezes menos – entre cinco a seis vezes/minuto, contra 20/minuto normalmente. Isso resseca a lágrima e causa sensação de areia nos olhos”, explica.

Outro fator importante são as 16,7 milhões de cores geradas pelas telas dos equipamentos. A grande variação de luminosidade sobrecarrega o esfíncter iriano, musculatura que regula a entrada de luz até a retina, onde são formadas as imagens. Entre crianças até 8 anos de idade, quando os olhos completam seu desenvolvimento, o excesso de esforço visual para perto devido ao uso de dispositivos eletrônicos por mais de 2 horas consecutivas, somado a esta variação na luminosidade dos equipamentos e à falta de exposição ao sol que controla a progressão da miopia por ativar a produção de dopamina são fatores que aumentam o risco de alta miopia, uma importante causa de perda da visão causada por descolamento da retina, glaucoma e edema retiniano.

Iluminação

O oftalmologista complementa que a iluminação adequada também influi no estresse visual e na produtividade, independente do dispositivo utilizado e da idade. Isso porque, enxergamos através da luz que penetra em nossos olhos. "Entretanto, as alterações anatômicas do globo ocular a partir dos 40 anos tornam a iluminação ainda mais importante", salienta.

Queiroz Neto explica que nesta faixa etária nosso cristalino perde o poder de acomodação que é a capacidade de focar a todas distâncias, reduzindo a visão de perto. É a presbiopia que faz com que 100% das pessoas necessitem usar óculos de leitura em algum momento depois dos 40. A perda da flexibilidade do cristalino e dos músculos ciliares que sustentam esta lente interna do olho, exige maior adaptação às mudanças de luminosidade. Por isso a prevalência da síndrome da visão de computador atinge 90% da população nesta faixa etária. Queiroz Neto destaca que a partir dos 50 anos o cristalino começa a amarelar. É o processo da catarata que faz precisarmos três vezes mais iluminação aos 60 anos do que uma pessoa de 20 anos para enxergarmos com a mesma nitidez.

Riscos da navegação noturna

Queiroz Neto ressalta que todo nosso metabolismo é controlado por hormônios que são produzidos conforme nossa exposição aos comprimentos de luz emitido durante o dia e a noite, conhecido como ciclo circadiano. A tela do celular, tablet ou computador emite luz azul que é predominante durante o dia. Por isso, quando usamos estes dispositivos à noite enganamos nosso organismo que é dia. Resultado: temos insônia devido à da produção de hormônios que nos mantém em estado de alerta e deixamos de produzir melatonina, hormônio indutor do sono. O médico explica que estas alterações hormonais levam ao envelhecimento precoce que também antecipa a formação da catarata e expõe a retina a lesões que podem levar à perda permanente da visão. Por isso as principais dicas do médico são: evitar o uso de qualquer equipamento durante a noite, usar filtro de luz azul nos equipamentos e óculos com lentes que filtrem a luz azul para reduzir o risco de catarata e degeneração macular.

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier