09 de Ago de 2020

Aumento do uso de celulares e tablets diminui lubrificação ocular e desajusta o relógio biológico

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Mexer no celular, assistir televisão ou usar o computador por longos períodos tem sido comum na rotina das pessoas durante a isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus. Mas, se as pessoas não cuidarem da saúde dos olhos e do sono, as consequências podem ser preocupantes. A estudante de música na UnB, Maria Luísa Colusso, de 23 anos, costuma ficar cerca de oito horas exposta ao computador e celular. Ela conta que já teve que tomar remédios para dor de cabeça porque não aguentava o incômodo, já que iria se deitar de madrugada. “No início (da pandemia), eu ia dormir bem tarde, tipo 4h ou 5h da manhã. Mas consegui organizar uma rotina e tenho dormido no máximo às 1h. Tive insônia mais no início, mas não estou tendo mais. De vez em quando, eu tenho tido mais é dor de cabeça e ardência na vista. Aí tomo remédio para dor de cabeça”, diz.

Maria relata que tem usado muito o computador para jogar videogame ou mexer em redes sociais. “Assim como, principalmente para estudar. Seria bem complicado limitar o tempo de uso por realmente precisar do computador para os estudos”, opina.

Durante a quarentena, é comum passar muito tempo mexendo no celular, assistindo televisão ou usando o computador, o que pode ocasionar algumas alterações oculares. “Apesar de parecer inofensivo, esses hábitos podem provocar ressecamento ocular, vermelhidão, dor nos olhos, vista embaçada, entre outros problemas”, completa o oftalmologista Dr. Hilton Medeiros.

Pausa para descanso

Segundo o oftalmologista Dr. Hilton Medeiros, é preciso parar de usar eletrônicos por um período curto e relaxar a vista. “O problema é que quando você está muito tempo no computador, celular ou TV, você pisca menos. A lubrificação ocular diminui e criam-se pequenas feridas na córnea, e isso arde porque expõe as terminações nervosas. Recomendamos é que, a cada uma hora de trabalho, o paciente pare e relaxe a musculatura externa e interna do olho e vá olhar através de uma janela, para que tenha um controle maior de lubrificação. Se a cada hora a pessoa parar por cinco minutos e usar colírio lubrificante, vai trazer um alívio muito grande”, explica o especialista.

Hilton esclarece que manter o ambiente arejado faz a diferença na hora de manter contato com aparelhos eletrônicos. “A ventilação natural faz com que você tenha mais lubrificação porque o ar-condicionado (por exemplo) resseca o olho em um ambiente fechado normalmente. Um ambiente arejado e com luz natural melhora um pouco. Mas o paciente tem que lembrar que está exposto a uma situação de piscar menos. Então ele tem que usar um lubrificante de uso prolongado”, orienta.

O oftalmologista explica a influência das luzes eletrônicas por muito tempo. “A exposição em períodos muito prolongados à luz artificial, sobretudo a de LED, nos faz piscar em uma frequência tão rápida que parte do nosso olho percebe. A musculatura interna fica tentando ajustar o foco em uma frequência muito alta. Isso produz um cansaço maior, tanto é que se você passar o dia inteiro na luz artificial, você vai estar mais cansado”, acrescenta.

Cuidados com o sono

O desajuste do relógio biológico é um problema constante na quarentena para aqueles que estão trabalhando em casa. A empregada doméstica Thaíssa Costa, 25 anos, relata que dormia entre 23h30 e meia-noite antes do confinamento. Mas desde que o isolamento começou, passou a dormir às 4h. Seu horário de acordar também foi alterado. Antes, ela levantava da cama por volta das 7h. Agora às 9h. Os efeitos disso em sua saúde mental são visíveis.

“Tenho crises de ansiedade e venho tendo crises de pânico com mais frequência. Irritabilidade, falta de atenção e preguiça afetam bastante na hora de me exercitar”, afirma.

A funcionária pública Verônica Cavalcante, 31 anos, também se queixa de dificuldades para ajustar o corpo à nova rotina. Ela também afirma sofrer com refluxo e ardência nos olhos desde que o confinamento começou. “Eu estou bem mais cansada do que quando trabalhava fora, e eu ainda não tinha cadeira decente para trabalhar”, declara.

Psicóloga clínica e do sono, Mônica Müller explica que a desregulação do ritmo de sono acontece principalmente em função da dificuldade que a quarentena cria de se gastar energia apropriadamente. “Para se dormir bem, precisamos acumular tanto cansaço físico quanto mental. Como estamos em confinamento, nosso gasto energético tem sido bem menor. E a comparação é que o gasto energético físico é menor e a atividade mental tem sido muito maior, gerando estresse. A consequência disso é que as pessoas vão dormir mais tarde”, diz ela, que também é mestra em medicina do sono.

Para evitar sofrer com transtornos de sono, a psicóloga recomenda tentar manter os horários de sono da rotina de antes da quarentena. “É muito importante, especialmente para crianças e adolescentes, manter essa regularidade”. Também se recomenda realizar atividades físicas sempre que possível, e evitar o uso de aparelhos eletrônicos à noite.

 

 

 

 

 

Fonte: Portal Jornal de Brasília