05 de Dez de 2019

Doença pode trazer consequências para a visão

Novembro Azul do diabetes ou da próstata? Nos últimos anos, no Brasil, Novembro Azul virou sinônimo de cuidados com a saúde masculina, especialmente o câncer de próstata. No entanto, o mês também é uma data utilizada para outro alerta igualmente importante: o diabetes. Definido pela Federação Internacional de Diabetes e a Organização Mundial da Saúde (OMS), 14 de novembro é, desde 1991, o Dia Mundial do Diabetes, que afeta 380 milhões de pessoas no mundo, segundo dadis da OMS. No Brasil, são mais de 13 milhões de diabéticos, o que representa 6,9% da população. Se não tratada, a doença pode causar sérias consequências, inclusive para os olhos. Seguem esclarecimentos sobre retinopatia diabética com o Dr. Sérgio Kniggendorf, oftalmologista.

O que é – Retinopatia diabética é quando o diabetes afeta a retina, parte neurológica do olho responsável pela captação de imagens, e seus vasos sanguíneos. “Seu diagnóstico precoce é importante, porque tem início silencioso e pode levar à perda total e irreversível da visão, se não tratada”, explica o oftalmologista. “Inicialmente assintomática, quando o paciente começa a perceber a perda da visão, geralmente, a doença já está na fase mais adiantada. Primeiro, há um leve embaçamento e, muito rapidamente, pode evoluir com perda importante da visão”, conta o especialista.

Conforme explica o Dr. Kniggendorf, após alguns anos, a maioria dos diabéticos terá alterações na retina, independentemente do gênero. Mas o quadro pode se iniciar mais cedo, se não houver controle da doença, por meio de alimentação, prática de exercícios e, quando necessário, medicação com acompanhamento médico. Em geral, o oftalmologista explica que a retinopatia diabética se manifesta 10 anos após o diagnóstico de diabetes. As pessoas com diabetes e que também têm pressão alta têm risco muito maior de desenvolver retinopatia diabética, porque ambas as doenças provocam lesões na retina.

Se é possível traçar uma relação entre câncer de próstata e diabetes, é a faixa etária dos pacientes. “Todos após os 50 anos de idade devem ter um cuidado especial com a visão e realizar o exame de fundo de olho, pois esse é o grupo mais suscetível a doenças oculares não somente como a retinopatia diabética, como também glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, que podem levar à cegueira se não diagnosticadas a tempo”, afirma o especialista em retina.

Estima-se que cerca de 50% das pessoas com diabetes não sabem que têm a doença na América Latina. “Muitos diabéticos descobrem que têm a doença no consultório do oftalmologista. Isso porque apresentam oscilação do grau de visão e embaçamento provocado pela glicemia alta, que modifica e ‘incha’ o cristalino, alterando a refração do paciente, o que o leva a procurar o oftalmologista. Já quando a retinopatia diabética se instala, o paciente já sabe que é diabético, pois são muitos anos de evolução da doença, e os cuidados devem ser mais frequentes”, afirma o médico.

Novos tratamentos – O modo de tratar a retinopatia diabética pode variar de acordo com a evolução da doença, o que pode incluir desde uma hoje considerada simples aplicação de laser, injeções intraoculares ou até cirurgias mais complexas, quando há hemorragias ou descolamento da retina. Nos últimos anos, a novidade é o uso de medicamentos injetáveis no globo ocular para controlar a doença. “Essa aplicação impede a evolução da retinopatia diabética, revertendo casos de edema (inchaço) macular e de vasos que proliferam, levando a hemorragias e descolamentos de retina. Isso tem feito com que o número de indicações de tratamento a laser e cirurgias diminua”, diz o Dr. Kniggendorf.

Tipos de diabetes – Vale lembrar que existem dois tipos de diabetes. O tipo 1 acomete, geralmente, crianças e adolescentes. É chamada de doença autoimune, pois o sistema imunológico ataca as células beta. Dessa maneira, pouca ou nenhuma insulina é liberada para o organismo, fazendo com que a glicose, não seja absorvida pelas células. Já o tipo 2 é a apresentação mais comum da doença. Em torno de 90% das pessoas diagnosticadas (normalmente adultos, mas crianças também podem apresentar) têm diabetes tipo 2. E ela surge quando o organismo não consegue usar de forma correta a insulina que produz. Ou, então, o organismo não fabrica o hormônio suficiente para conseguir controlar glicemia. Fatores genéticos podem desencadear esse tipo de diabetes, mas o mais comum envolve casos de pessoas acima do peso e com má alimentação.

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Grupo Opty