05 de Dez de 2019

Mais da metade dos brasileiros colocam a visão em risco no sol. Aprenda identificar óculos com filtro

Em 2019 a camada de ozônio, filtro natural que protege a terra dos raios ultravioleta (UV) emitidos pelo sol, teve o menor buraco já registrado, segundo informação da NASA publicada no portal da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). Nem por isso, pode-se relaxar na proteção dos olhos. Isso porque, para os cientistas o buraco de ozônio não está a caminho de uma rápida recuperação. Prova disso é a previsão do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE) de radiação UV extrema, maior que 11, em todo o país. Pior, em plena primavera, e deve permanecer assim até o final desta semana, mesmo nas cidades em que a chance de chuva é grande,

Dias nublados também exigem proteção

De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Netor, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é usar lentes que filtrem 100% da radiação UV sempre que o índice atingir 6. Significa que praticamente durante o ano todo o brasileiro deveria usar óculos com filtro solar nas atividades externas. “Nos dias nublados, a proteção continua necessária porque as nuvens só filtram 20% da radiação”, salienta.

Maioria não protege os olhos

O problema é que um levantamento feito pelo especialista, mostra que só 41% dos pacientes têm o hábito de proteger os olhos durante o ano todo. Como se não bastasse, relatório do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), revela que em 2018 foram vendidos R$ 4,7 bilhões em óculos solares no mercado paralelo. “Estes óculos nem sempre têm filtro. Participei de  uma comissão no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO) em que avaliamos seis diferentes marcas de óculos, incluindo populares. Todas as lentes estavam em conformidade com a proteção  UV. Já a análise de lentes genéricas indicou falta desta conformidade. No Brasil a garantia de proteção pode ser identificada na embalagem, haste ou certificado dos óculos pelo código NBR ISO 15111", afirma Queiroz Neto. "Usar óculos sem filtro solar é pior que a falta deles", adverte. Isso porque, as lentes escuras dilatam a pupila. Por isso, quando os óculos não têm filtro, os tecidos do olho absorvem mais a radiação UV e o risco para a visão é maior.

Catarata e outras doenças

O especialista explica que o efeito da radiação é cumulativo. Está entre os principais fatores que contribuem com o aparecimento precoce da catarata no Brasil. Isso porque, as lentes escuras sem proteção aumentam em 60% a chance de contrair a catarata que deixa o cristalino do olho embaçado. A doença responde por 49% dos casos de cegueira tratável no Brasil. A estimativa é de que anualmente cresce 20%, período em que surgem 120 mil novos casos.

A radiação UV também aumenta a formação de radicais livres na retina e pode causar degeneração macular, maior causa de cegueira irrecuperável no mundo. Outra doença, menos grave, mas bastante desconfortável causada pelo sol é o pterígio. “A conjuntiva forma um tecido fibroso no canto interno do olho para se proteger da agressão. Quando este tecido atinge a córnea, é indicada a extração cirúrgica para que a pessoa possa enxergar.

Risco imediato

Queiroz Neto destaca que a exposição por mais de seis horas à radiação solar pode causar ceratite, uma inflamação na córnea que mata células do epitélio, camada externa. Em 48 horas estas células se recompõem. Por isso, a ardência e vermelhidão não são levadas a sério. O problema é que os sucessivos traumas provocam pequenas imperfeições na córnea que a longo prazo interferem na visão.

O lado bom do sol

Nem por isso você deve fugir do sol. Segundo Queiroz Neto diversos estudos mostram que banhos de sol de 5 a 30 minutos conforme a cor da pele, pelo menos duas vezes por semana, é fundamental para a saúde. Isso porque, o sol é a principal fonte de vitamina D que desempenha importantes funções no nosso organismo:

- Fixa o cálcio nos ossos;

- Fortalece o sistema imunológico;

- Evita o diabetes por ajudar o pâncreas a produzir insulina;

- Tem ação antidepressiva por aumentar a liberação de serotonina, hormônio do bom humor;

- Ajuda a controlar a pressão arterial;

- Combate o câncer por estar relacionada à multiplicação celular;

- Protege as células da retina.

A dica é sempre manter a moderação.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnie