05 de Dez de 2019

Dispositivo usado em exame de rotina faz diagnóstico de olho seco mais preciso. Entenda

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) acaba de aprovar uma nova tecnologia que faz o diagnóstico do olho seco em 3D sem nenhum contato com o olho. De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, o dispositivo é acoplado à  lâmpada de fenda utilizada nos exames oftalmológicos de rotina e projeta no computador do médico imagens que permitem avaliar cada camada da lágrima, a estabilidade do filme lacrimal, eficiência da piscada, o reflexo da pálpebra, funcionamento das glândulas de meibômio e o diâmetro da pupila. “Este conjunto de informações permite estabelecer um tratamento mais eficaz e proporciona uma leitura muito mais precisa que o método convencional”, afirma. Da forma que era feito, explica, além do contato com a superfície do olho mascarar o resultado do diagnóstico, o funcionamento da glândula de meibômio e o equilíbrio do filme lacrimal não é aferido e isso dificulta a indicação do tratamento correto.

Estado se alerta

O oftalmologista afirma que o novo equipamento vem em boa hora. Isso porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que a umidade relativa do ar abaixo de 60% prejudica a saúde e nesta semana o índice vai estar abaixo disso em praticamente todo o país. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) as áreas mais afetadas devem ser a região centro-oeste, estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Tocantins, sul do Pará e sudeste do Amazonas que devem  permanecer em estado de alerta com umidade abaixo de 20% até o fim de semana.

Riscos

Para Queiroz Neto o olho é o órgão mais afetado pelo tempo seco. Isso porque, resseca a lágrima - que tem a função de lubrificar e proteger os olhos -, aumenta a concentração de poluentes e microrganismos no ar, que agridem o globo ocular. No Brasil a estimativa é de que 12% têm a síndrome do olho seco na proporção de três mulheres para cada homem. Os sintomas são: vermelhidão, ardência, visão embaçada, coceira, e maior sensibilidade à luz. O oftalmologista adverte que não se trata de um mal menor. Se não for tratado corretamente pode causar cicatrizes ou inflamação na córnea, inviabilizar o uso de lente de contato, agravar o ceratocone, predispor à blefarite (inflamação nas pálpebras), a conjuntivite viral e à alérgica.

Brasileiro é o segundo povo mais conectado

O especialista ressalta que o envelhecimento aumenta o risco da síndrome do olho seco, principalmente entre mulheres porque após a menopausa a queda dos estrogênios resseca todas as mucosas, inclusive as oculares. Mas a diminuição da lágrima não se restringe aos mais velhos. Um estudo feito por Dr. Leôncio mostra que 30% das crianças que ficam mais de duas horas conectadas têm os sintomas da síndrome. O pior é que uma pesquisa, que acaba de ser realizada em Londres, mostra que o uso das redes sociais cresceu cerca de 60% nos últimos sete anos entre os 25 países analisados. O Brasil está em segundo lugar no ranking com uma média de 225 minutos/dia, ou seja, quase 4 horas/dia de uso das redes sociais. O médico destaca que a predisposição ao olho seco também pode ser agravada pelo uso de lentes de contato, ceratocone, ambientes com ar condicionado, doenças autoimunes como  síndrome de Sjögren, síndrome de Stevens Johnson, lúpus e alergias.

Luz pulsada ganha terapia coadjuvante

Queiroz Neto ressalta que a mais nova terapia para tratar olho seco é uma tecnologia de luz pulsada que estimula a glândula de meibômio a produzir a camada lipídica da lágrima. Relatório da Association for Research in Vision and Ophthalmology (ARVO) revela que a maior causa do olho seco no mundo é justamente uma disfunção nesta glândula que diminui a produção da camada gordurosa do filme lacrimal. “Isso porque, é esta camada da lágrima que regula sua evaporação”, explica. O médico destaca que o tratamento inclui pelo menos três sessões, sendo uma por mês. Ele conta que recentemente o oftalmologista Dr. Thiago Queiroz criou um modelo de óculos/compressa para potencializar o tratamento de blefarite e olho seco. Após a luz pulsada os óculos/compressa devem ser aquecidos por 5 segundos no microondas e aplicados nos olhos por duas vezes.

Prevenção

O oftalmologista afirma que as principais dicas para prevenir o olho seco são:

- Umidificar os ambientes com toalhas ou vasilhas com água;

- Evitar a exposição dos olhos ao sol sem lentes que filtrem 100% da radiação UV;  

- Não fazer exercícios físicos em espaços abertos das 10h às 16h;

- Evitar as aglomerações;

- Só usar colírio com prescrição médica;

- Manter o corpo hidratado;

- Incluir na dieta fontes de ômega 3 como semente de linhaça, sardinha, salmão ou bacalhau.

 

 

 

 

Fonte: assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier