17 de Ago de 2019

Avaliação automatizada detecta mais pessoas com a síndrome e melhora o resultado do tratamento

diagnostico ojo seco

As oscilações da temperatura e a baixa umidade do ar no inverno estão entre as principais causas da síndrome do olho seco. A doença atinge 12% dos brasileiros e aumenta no frio por causa dessas duas variáveis ambientais. Sensação de areia nos olhos, vermelhidão, fotofobia, visão embaçada e em alguns casos lacrimejamento frequente são os principais sintomas. “O olho seco não está entre as principais causas de cegueira no país, mas a falta de tratamento pode causar cicatrizes na córnea que levam à diminuição permanente da visão, sobretudo entre alérgicos e pessoas com ceratocone”, afirma o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto.

Parte dos portadores não conseguem perceber a síndrome logo no início. É o que mostra um estudo realizado em Milão com 715 participantes. No grupo, 11% foram diagnosticados com a síndrome, mas não percebiam o ressecamento dos olhos. O especialista esclarece que geralmente estes casos sem sintomas estão associados a alguma disfunção inicial nas glândulas de meibômio que ficam localizadas nas bordas das pálpebras superior e inferior.  “Isso acontece porque estas glândulas produzem a camada gordurosa da lágrima que impede a evaporação da lágrima. Como 98% do filme lacrimal é formado por água, a evaporação passa despercebida quando é pequena", esclarece. A boa notícia é que já está disponível no Brasil a tecnologia usada pelos pesquisadores italianos no diagnóstico de portadores sem sintomas.

Como funciona

Queiroz Neto afirma que o olho seco é uma doença multifatorial que envolve alterações do filme lacrimal, distúrbios visuais, lesões e inflamações na superfície ocular. O exame tradicional, observa, dificulta medir o volume e a qualidade real da lágrima. Isso porque, requer uso de colírio ou contato direto com o olho que pode ficar irritado e lacrimejar como reação de defesa. O oftalmologista explica que o exame automatizado é feito com  uma câmera que emite luz infravermelha e é teleguiada por um software para avaliar sem interferência, na superfície ocular, as três camadas da lágrima – aquosa, gordurosa e proteica. O exame ainda inclui a avaliação das pálpebras inferior e superior e das glândulas de meibômio. Por isso, permite flagrar logo no início uma blefarite, inflamação na pálpebra que está relaciona a alterações nas glândulas de meibômio.

Causas

Uma pesquisa feita por Queiroz Neto mostra que a prevalência de olho seco entre jovens com ceratocone é de 24%, o dobro da encontrada no restante da população. Outras causas da síndrome elencadas pelo médico são:

  • Exposição ao frio, clima seco, ar condicionado, vento e poluição;
  • Envelhecimento, sobretudo a menopausa que reduz a lubrificação das mucosas;
  • Síndrome de Steven Johnson, doença de Sjögren que reduzem a produção lacrimal;
  • Artrite reumatoide, hipertensão arterial, diabetes e conjuntivite;
  • Muito tempo no computador, celular ou tablet;
  • Uso de anti-histamínicos, descongestionantes, medicamento parta hipertensão arterial, antidepressivos;
  • Uso prolongado de lentes de contato.

Tratamentos e prevenção

O tratamento varia de acordo com a causa e a gravidade do olho seco. Algumas pessoas, pontua, precisam usar colírio imunossupressor, mas como todos os demais só deve ser usado sob prescrição médica para evitar outros problemas de saúde. Até os colírios lubrificantes só devem ser instilados no olho conforme prescrição. Isso porque, explica, cada fórmula age sobre uma camada da lágrima. A mais nova terapia para a síndrome é a luz pulsada que estimula a glândula de Meibômio a produzir a camada lipídica da lágrima e geralmente em três sessões elimina a disfunção lacrimal.

As dicas do oftalmologista para prevenir o olho seco são:

  • Nas telas digitais olhe para o horizonte a cada 20 minutos;
  • Na dieta inclua cinco porções de verduras e legumes ao dia e fontes de ômega 3 - sardinha, salmão, bacalhau e semente de linhaça;
  • Beba água para ajudar na hidratação dos olhos;
  • Use óculos para proteger os olhos nas atividades externas;
  • Retire a maquiagem e a lente de contato antes de ir dormir.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier