17 de Ago de 2019

Estudo mostra que a estatina não substitui os colírios, mas reduz em até 21% o risco de cegueira. Entenda

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A população brasileira tem pouco o que comemorar no Dia Nacional de Combate ao Glaucoma celebrado no próximo domingo, 26 de maio. O oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto explica que o glaucoma é uma doença crônica que degenera as células do nervo óptico e causa a perda da visão periférica. Em 90% dos casos, observa, resulta do aumento da pressão interna do olho. A doença não tem cura e exige uso contínuo de colírio para baixar a pressão intraocular. É causada por uma falha na drenagem do humor aquoso que preenche o globo ocular. Apesar dos danos no nervo óptico serem irrecuperáveis, não apresenta sintomas logo no início, porque a perda da visão acontece na periferia e passa despercebida, salienta. Isso explica porque no Brasil metade dos portadores nem desconfia que tem glaucoma e quando recebe o primeiro diagnóstico precisa usar mais de um colírio. Foi o que aconteceu com Luiz Ramos. “Além de usar dois colírios várias vezes ao dia, já precisei tomar um comprimido para controlar a pressão do olho que chegou a 39”, desabafa. Para se ter ideia, o médico diz que a pressão intraocular normal varia de 10 a 21,5 mmHg.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o glaucoma é a maior causa global de cegueira definitiva. Queiroz Neto ressalta que está entre as doenças que mais crescem no país. Isso porque, hoje o Brasil tem uma população em torno de oito milhões de pessoas com 40 anos ou mais e a estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é de que 3% desta faixa etária têm glaucoma, ou seja, 2,5 milhões de brasileiros. Pior: no Brasil os portadores com mais de 50 anos convivem com, pelo menos, outras quatro doenças crônicas e algumas podem agravar a evolução do glaucoma.

Colesterol alto e glaucoma

Este é o caso do excesso de colesterol no sangue. Prova disso é o resultado do estudo https://bit.ly/2LjB2MS publicado este mês no JAMA Ophthalmology. O estudo avaliou três pesquisas realizadas com 136 mil pessoas na faixa etária de 40 anos ou mais que foram acompanhadas por 15 anos. Os pesquisadores concluíram que o uso por cinco anos de qualquer uma das opções disponíveis de estatina, medicamento criado para baixar o colesterol alto, diminuiu em até 21% o risco de glaucoma primário de ângulo aberto. Já o aumento de 20 mg/dl no colesterol sérico foi associado à elevação de 7% na pressão intraocular.

Para Queiroz Neto é importante saber que a estatina diminui o risco do glaucoma, mas é preciso ter cuidado com esta informação. “Sobretudo porque os colírios permanecem sendo a primeira terapia para controlar a pressão intraocular com 91% de sucesso”, pondera.

As estatinas, ressalta, também funcionam como um potente anti-inflamatório e antioxidante, além de melhorar a circulação, variáveis que afetam o resultado do tratamento do glaucoma.

Outros fatores de risco

Queiroz Neto destaca que o glaucoma primário de ângulo aberto que responde por 90% dos casos e surge após os 40 anos pode estar relacionado à herança genética, diabetes ou outros problemas de circulação que dificultam o escoamento do humor aquoso. Quanto mais a idade avança maior é a incidência. Outro tipo de glaucoma bem menos frequente é o primário de ângulo fechado. O especialista diz que é mais frequente em altos míopes, asiáticos, hipermétropes e usuários de medicamentos que dilatam a pupila. “Caracterizado por forte dor nos olhos e súbito aumento da pressão intraocular é uma emergência oftalmológica,” alerta.

“Doenças autoimunes, lesão nos olhos e o uso contínuo de corticóide causam o glaucoma secundário de ângulo aberto que pode surgir em qualquer idade e também é tratado com colírio hipotenso”, explica.

Hereditariedade e malformação fetal podem causar em bebês o glaucoma congênito. O oftalmologista afirma que as características são a olhos excessivamente grandes e pressão intraocular alta. O tratamento é sempre cirúrgico.

Erros no tratamento

Os prontuários do hospital mostram que 20% dos portadores de glaucoma não fazem o tratamento corretamente ou simplesmente abandonam o uso dos colírios. Os erros no tratamento mais frequentes apontados pelo oftalmologista são: usar mais de uma gota de colírio em cada aplicação, pingar fora do olho, contaminar o medicamento encostando o bico dosador na mucosa ocular ou esquecer de instilar .

As principais recomendações do oftalmologista para fazer o tratamento correto do glaucoma são:

• Lave as mãos antes de aplicar o colírio;

• Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar;

• Incline a cabeça para trás;

• Flexione a pálpebra inferior com o indicador; 

• Com a outra mão segure o dosador;

• Coloque o medicamento sem tocar no bico dosado, evitando a contaminação;

• Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos colaterais;

• Feche os olhos por três minutos para garantir o efeito;

• Se usar lentes de contato retire-as antes da aplicação;

• Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação;

• Em caso de prescrição de mais de um colírio aguarde 15 minutos entre um e outro.

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier