20 de Jul de 2019

Horas brincando com telas eletrônicas aumentam o risco de miopia. Saiba como checar a visão das crianças

oftalmopediatria

Na volta às aulas o exame de vista deveria ser obrigatório. Isso porque, o uso abusivo do videogame, celular ou computador durante as férias pode levar à miopia acomodativa, dificuldade temporária de enxergar de longe. Esta é a principal conclusão de um estudo com 360 crianças do oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto. Para se ter ideia, dos participantes 21% apresentaram miopia contra 12% apontados pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O oftalmologista explica que a miopia acomodativa é provocada pelo excesso de esforço visual para perto. “O estresse diminui a flexibilidade dos músculos ciliares que permitem ao cristalino, lente interna do olho, mudar automaticamente o foco visual para perto, meia distância e longe”, afirma. Para que a miopia não se torne um mal permanente, o oftalmologista recomenda ensinar a criança a olhar em pequenos intervalos de tempo para um ponto distante ou descansar os olhos de 15 a 30 minutos a cada hora de uso dos equipamentos. A dificuldade de manter este controle explica porque a miopia é o vício de refração que mais cresce no mundo.

Maioria nunca foi ao oftalmologista

Queiroz Neto afirma que nem sempre a criança sabe avaliar a piora da visão por não ter uma referência, além da alteração visual frequentemente ser lenta e progressiva. Isso explica porque na triagem realizada pela equipe do hospital de 35 mil crianças das escolas públicas de Campinas 8 em cada 10 nunca tinham consultado um oftalmologista. Crianças que não enxergam bem tem dificuldade no aprendizado, na socialização e são mais agitadas. A estimativa do CBO é de que 20% precisam usar óculos de grau. Além da miopia, Queiroz Neto afirma que crianças podem ter hipermetropia (dificuldade de enxergar próximo) ou astigmatismo (visão desfocada para perto e longe).

Para checar a existência de doenças congênitas que podem cegar é realizado nas maternidades o teste do olhinho, logo após o nascimento. A primeira consulta, ressalta,  deve ser feita aos 3 anos quando os pais não usam óculos e aos 2 anos quando usam. Isso porque, nossos olhos se desenvolvem até a idade de 8 anos e qualquer bloqueio visual neste período faz o cérebro anular o olho de menor visão para usar o melhor. “O resultado é o “olho preguiçoso” ou ambliopia, maior causa de cegueira monocular entre crianças”, afirma o médico. A única forma de eliminar este problema é ocluir o olho de melhor visão com um tampão para estimular o desenvolvimento do olho mais fraco. O tratamento só tem efeito se for realizado antes dos 8 anos, quando se completa o desenvolvimento do sistema ocular.

Sinais de problemas de visão em crianças

As dicas do médico para descobrir se a criança tem algum problema de visão que requer consulta imediata são:

Até 2 anos:

Não reage a estímulos luminosos como, por exemplo, a luz do quarto que se acende. Lacrimeja excessivamente de um ou ambos os olhos. Fica muito tempo com os olhos fechados. Não demonstra interesse pelo ambiente à sua volta. Não ergue a cabeça para tentar ver objetos (brinquedos, por exemplo). Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora. Reflexo luminoso na pupila como se fossem “olhos de gato”. Pupila muito grande ou de cor acinzentada ou opaca.

Dos três aos cinco anos:

Apresenta um ou ambos os olhos desviados para o nariz ou para fora. Cai com frequência. Se aproxima muito da TV para assistir. Inclina a cabeça para um dos lados ou para um ombro. Vira um dos olhos para fora quando está distraída, pensativa ou em locais muito abertos. Fecha um dos olhos em locais ensolarados. Coça muito os olhos, especialmente quando manipula o celular ou assiste TV. Queixa-se de visão dupla ou embaralhada

No início da alfabetização:

Faz careta ou franze a testa para enxergar. Queixa-se de dor ou cansaço nos olhos e dor de cabeça. Os olhos ficam vermelhos quando esforça a visão, mesmo sem coçá-los. Refere dificuldade em ver o que está escrito no quadro. Chega o rosto muito próximo ao caderno ou livro. Apresenta baixo rendimento escolar. Desinteresse na sala de aula. Não participa de atividades esportivas. Tem dificuldade em distinguir ou combinar cores.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do do Instituto Penido Burnier