17 de Dez de 2018

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De acordo com um novo estudo publicado na revista científica Journal of the American Geriatrics Society, restaurar a audição com o uso de aparelhos pode ajudar a retardar o declínio cognitivo

Método

Os pesquisadores rastrearam cerca de 2.000 adultos idosos nos Estados Unidos antes e depois de começarem a usar aparelhos auditivos. Todos eram participantes de um grande questionário nacional chamado “Health and Retirement Study”.

“Descobrimos que a taxa de declínio cognitivo diminuiu em 75% após a adoção de aparelhos auditivos”, explicou Asri Maharani, pesquisador da Universidade de Manchester, no Reino Unido. “É um resultado surpreendente”.

Para avaliar a cognição ao longo do tempo, os cientistas realizaram uma bateria de testes cara-a-cara com os participantes. Isso foi feito a cada dois anos, de 1996 a 2014. Um teste para avaliar a memória exigiu que os participantes relembrassem uma lista de 10 palavras, tanto imediatamente após as palavras serem lidas em voz alta, quanto depois que os participantes se distraíssem com outras tarefas.

“Não esperávamos que o uso de aparelhos auditivos eliminasse o declínio cognitivo. Isso simplesmente não vai acontecer, porque o declínio relacionado à idade é inevitável. Mas a redução na taxa de mudança é bastante substancial. É uma descoberta muito intrigante”, disse outro autor do estudo, o psicólogo experimental Piers Dawe.

Oi? Hãn?

Aos 40 anos, cerca de um a cada dez adultos experimentará alguma perda auditiva. Isso acontece tão devagar e gradualmente que muitos não percebem. Mesmo quando a situação piora, muitas pessoas entram em um estado de negação, explica a fonoaudióloga Dina Rollins. Quando alguém finalmente se convence de que tem um problema de audição, a perda de memória relacionada à idade já pode ter ocorrido.

Considere o que as pessoas estão recebendo quando a audição é restaurada: “Estimular os ouvidos estimula os nervos que estimulam o cérebro”, esclarece Dina. Quando você passa a usar um aparelho auditivo, devolve ao cérebro o que está faltando e dá a ele o que precisa para entender o que está ouvindo. Rollins crê que as pessoas que têm perda auditiva podem declinar mais rapidamente do que aquelas com audição normal devido à perda da estimulação social. “O isolamento social é uma grande parte da perda auditiva, e as pessoas notarão seus entes queridos desistindo de conversar, e deixarão de ir em eventos familiares ou sociais, como costumavam fazer”, afirma.

Muitas pessoas só adotam os aparelhos auditivos depois que seus entes queridos insistem nisso. “Ninguém quer usar um aparelho auditivo. Ainda há um estigma associado ao uso. As pessoas pensam: ‘Eu não quero parecer velho!’”, argumenta Dina.

O custo é outro obstáculo, mas a fonoaudióloga destaca que existem opções menos caras no mercado, bem como planos de seguro que cobrem pelo menos parte do valor, bem como opções bastante discretas, pouco perceptíveis.

O outro lado da equação: visão

Outra condição comum à medida que envelhecemos é a deterioração da visão, muitas vezes por causa da catarata. Da mesma maneira que com a audição, evidências científicas mostram que restaurar a visão com a cirurgia de catarata também pode retardar o declínio cognitivo. Um estudo realizado pelos mesmos pesquisadores e publicado na revista PLOS One avaliou os resultados de cerca de 2.000 idosos que passaram por essa operação. Todos eram participantes do “English Longitudinal Study of Ageing”, questionário britânico semelhante à pesquisa de saúde americana.

“Descobrimos que a taxa de declínio cognitivo diminuiu em 50% após a cirurgia de catarata”, disse Maharani.

De forma geral, muitos fatores influenciam o envelhecimento saudável, incluindo estilo de vida, como dieta e atividade física. As novas pesquisas acrescentam que é importante levar em conta boa visão e audição nessa equação.

 

 

 

Fonte: Hypescience