17 de Out de 2018

Prazo final para inclusão do crosslinking nos planos de saúde faz busca pela cirurgia atingir pico, mostra relatório.

Relatório do Google mostra que no Brasil a busca de informação sobre crosslinking, único tratamento que interrompe a progressão do ceratocone, atingiu o auge em meados deste mês e voltou a subir em 19 de julho. De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, a procura nos consultórios também aumentou este mês. Levantamento feito pelo Instituto Penido Burnier de Campinas revela que os estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina lideram o interesse pelo procedimento.

“O ceratocone não é contagioso, mas deforma a córnea, lente externa do olho responsável pela refração e é uma importante questão da saúde pública porque responde por 7 em cada 10 transplantes no país. O repentino aumento da busca pelo crosslinking está acontecendo porque a Agência Nacional de Saúde (ANS) determinou que todos os planos de saúde deveriam regulamentar até 30 de junho a cobertura da cirurgia”, afirma o médico.

Mais da metade não pode pagar a cirurgia

Nem poderia ser diferente. Mais da metade, 52%, dos que têm indicação para a cirurgia não podem pagar pelo procedimento. É o que mostra uma pesquisa feita este ano por Queiroz Neto com 1318 portadores de ceratocone para medir a eficácia da associação de tratamentos. O especialista conta que a pesquisa dividiu os participantes em dois grupos. Um que já tinha passado pelo crosslinking com 398 participantes e outro que não tinha feito a cirurgia com 920 pessoas.

“O crosslinking associa a aplicação de radiação UV (Ultravioleta) no epitélio, camada externa da córnea, com riboflavina (vitamina B 12). O resultado é o aumento da resistência da córnea em até três vezes e a interrupção da progressão do ceratocone que leva ao transplante”, afirma. Só é contraindicada em córneas muito finas ou com cicatrizes, para quem tem herpes ocular e mulheres em período de gestação, salienta.  A pesquisa mostra que a cirurgia estabiliza o ceratocone em 86,9% dos casos e 45% têm melhora da visão. O médico destaca que a completa recuperação geralmente acontece em trinta dias.

Urgência entre crianças

Queiroz Neto afirma que o ceratocone geralmente aparece na adolescência e é uma urgência entre crianças porque em alguns meses pode reduzir bastante a espessura da córnea. Por outro lado, quanto mais jovem, mas rápida é a recuperação e a chance de melhorar a visão também é maior. “Já atendi um paciente com 14 anos e início de ceratocone que teve uma melhora importante da visão após o crosslinking. A idade certamente influiu no resultado,” afirma.

Sintomas

A troca do grau dos óculos em curto período de tempo na infância ou adolescência e a coceira frequente nos olhos são os principais sinais de alerta. Outros sintomas elencados pelo médico são:

Visão borrada e distorcida para perto e longe;

Dificuldade para dirigir, especialmente à noite;

Fotofobia e olhos vermelhos;

Visão flutuante que atrapalha a leitura, uso do celular e computador;

Enxergar halos ao redor da luz.

Prevenção

O maior fator de risco controlável da doença é o hábito de coçar os olho. “A dica é aplicar compressas frias nos olhos. Se a coceira não desaparecer é melhor consultar um oftalmologista. Embora a venda de colírio com corticóide seja livre e todo alérgico saiba o quanto é eficaz no combate à coceira, o uso frequente ou contínuo deve ser evitado porque pode causar glaucoma e catarata, além se aumentar ainda mais o desconforto se não for retirado de forma correta”, adverte.

O médico ressalta que o estudo com portadores de ceratocone também mostra que 24% têm olho seco. A falta de lágrima, aumenta a chance de sentir coceira nos olhos. Para combater o ressecamento ocular recomenda usar colírio lubrificante, optando sempre pelos medicamentos sem conservante ou com conservante virtual que desaparece ao tocar a mucosa ocular,  para evitar irritação na córnea e conjuntiva. Na alimentação a dica é incluir castanhas e peixes como o salmão, sardinha e bacalhau que são ricos em ômega 3 e diminuem a evaporação da lágrima.

“Exames oftalmológicos regulares ajudam a flagrar a doença logo no início e evita, o grave comprometimento da visão", conclui.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier