22 de Jun de 2018

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O glaucoma é uma doença ocular silenciosa, influenciada principalmente pela elevação da pressão intraocular que provoca lesão no nervo ótico e, como consequência, comprometimento visual. Quando não tratada pode levar à cegueira. É considerada a segunda causa de cegueira e a primeira de cegueira irreversível no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem aproximadamente 70 milhões de pessoas no planeta com algum tipo de glaucoma. No Brasil há escassez de informação quanto à prevalência do problema, mas estima-se que 900 mil pessoas são portadoras da doença.

De acordo com o estudo - publicado em 2014 - Global prevalence of glaucoma and projections of glaucoma burden through 2040: a systematic review and meta-analysis, em 2013, o número de pessoas com idade entre 40 e 80 anos com glaucoma em todo o mundo foi estimado em 64,3 milhões, prevendo um aumento para 76,0 milhões em 2020 e 111,8 milhões em 2040.  Estes números mostram que o glaucoma é um problema crescente; porém, o tratamento só será eficaz se a doença for diagnosticada precocemente.

Como avaliar a progressão 

Na maioria das vezes, o glaucoma é causado pelo aumento da pressão intraocular (PIO) do indivíduo. No entanto, as causas desse aumento ainda não são totalmente conhecidas, porém há estudos que indicam que fatores como má circulação ou redução sanguínea no nervo óptico ou, uso de corticoides podem influenciar.  

Já os sintomas da doença são bem variáveis e isso acontece por conta do tipo do glaucoma. A avaliação da progressão é feita de duas formas: morfológica e funcional. “A morfologia é aquela que analisa a perda de determinadas estruturas relativas à retina e nervo óptico. Já a funcional é aquela que analisa a perda de função, como por exemplo, a diminuição do campo visual ou alteração da sensibilidade do contraste. Uma terceira via de analisar é segundo a perda de qualidade de vida devido a restrições diárias”, relata o Oftalmologista Dr. Victor Cvintal, Membro da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa (ABCCR-BRASCRS), palestrante sobre Glaucoma no XVIII Congresso Internacional de Catarata e Cirurgia Refrativa. 

Como o glaucoma é uma doença quieta e de sintomas diferenciados, o dano ao campo visual pode ser avaliado com modernos aparelhos que possuem software especiais que fazem um baseline e comparam os exames, indicando ou não, uma possível piora da doença. “O único problema é que cada tecnologia tem o seu próprio algoritmo e não são comparáveis. Ou seja, se um paciente fizer um exame em um determinado aparelho, ele terá que fazer sempre em equipamentos da mesma marca”, diagnostica o especialista.  

Tratamentos avançados

Por mais que o Glaucoma não tenha cura, há diversas formas de tratamento para que a perda da visão seja controlada e também para que a qualidade de vida do paciente seja a melhor possível.

Segundo o Dr. Victor Cvintal, o tratamento para o glaucoma é dividido em três: medicamentos, lasers e cirurgia. “Os medicamentos já são usados há muito tempo e têm sua eficácia bastante comprovada. Contudo, um dos vilões do glaucoma, principalmente inicial, é a ausência de sintomas claros e o uso de colírios pode levar a sintomas de coceira e vermelhidão. Isso somado à dificuldade de se pingar o medicamento faz com que uma porcentagem muito grande de pacientes não os use. Esta situação influenciou o desenvolvimento de novos gadjets que terão a droga “presa” a eles e liberarão aos poucos o medicamento para o paciente, sem precisar pingar. Quanto aos lasers, existem diversos tipos para diferentes tratamentos. Entretanto, existe um em especial: o SLT. Ele vai “limpar” o ralo do olho podendo diminuir a pressão e fazer a função de um ou mais colírios. Na parte cirúrgica pode-se optar desde as técnicas mais tradicionais, como a trabeculectomia – considerada padrão ouro - até os recentes MIGS, que são cirurgias minimamente invasivas de glaucoma. Aqui, só para dar um panorama resumido, há menos de 10 anos, instrumentos especiais foram desenvolvidos com o intuito de aumentar o escoamento do líquido que há dentro do olho, visando diminuir a pressão, como também reduzir o uso de colírios. Com o passar do tempo novas técnicas foram desenvolvidas e a cada ano esse tipo de cirurgia dá um passo à frente para o tratamento de glaucomas mais complexos. Agora, entre a trabeculectomia e a MIGS, a diferença em termos de técnica é que uma ‘retira o pedaço do chão’, já a outra modifica a grade do ralo. Desta forma cada uma tem sua eficácia e segurança própria”, avalia o especialista.

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação da Associação Brasileira de Catarata e Cirurgia Refrativa