17 de Ago de 2018

Dor atinge o dobro de mulheres e pode sinalizar graves doenças visuais. Saiba como identificar o risco e prevenir as crises

enxaqueca

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a dor de cabeça atinge cerca de metade da população global e 30% desta parcela tem enxaqueca. O levantamento também revela que a dor pulsante e unilateral que caracteriza a enxaqueca atinge todas as idades, mas é mais frequente dos 35 aos 45 anos na proporção de duas mulheres para cada homem. De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, é uma queixa frequente no hospital e precisa de uma avaliação detalhada.

“Tomar um analgésico por conta própria para aliviar crises de enxaqueca recorrentes pode tornar o desconforto crônico”, afirma. Isso porque, é uma dor multifatorial. Pode estar associada a alterações na visão, na circulação, doenças neurológicas ou no sistema digestivo. “Nem sempre tem uma única causa. Por isso, após a primeira avaliação oftalmológica o paciente pode ser encaminhado para outra especialidade médica”, comenta.

Como identificar o risco

O oftalmologista salienta que até quando a enxaqueca vem acompanhada de sintomas visuais assustadores como a percepção de pontos escuros, flashes, diminuição do campo visual e perda temporária da visão pode ser apenas um mal passageiro. Para saber se a visão está correndo risco, recomenda ocluir um olho com a palma da mão durante a crise e depois o outro. Quando as alterações visuais acontecem em apenas um olho é uma intercorrência conhecida como enxaqueca oftálmica, mal passageiro que dura apenas alguns minutos sem deixar sequelas.

“Se os sintomas atingem os dois olhos simultaneamente indica uma urgência oftalmológica”, ressalta. Isso porque, pode sinalizar arterite, inflamação das paredes internas das artérias temporais que pode levar à cegueira temporária ou definitiva. O diagnóstico da arterite é feito por ultrassom e o tratamento com esteroides que inibem a inflamação das artérias regulando o metabolismo do colesterol, cortisona, progesterona e testosterona.

O especialista ressalta que quando os sintomas da enxaqueca oftálmica acontecem nos dois olhos também podem sinalizar falha na irrigação da retina que leva à retinopatia, ou escavação do nervo óptico, sintoma do glaucoma. Estas doenças, comenta, são importantes causas de cegueira irrecuperável e podem ser tratadas respectivamente com antiangiogênicos e uso contínuo de colírio para manter a pressão interna do olho sob controle. 

Prevenção

“Mulheres tem o dobro de chance de ter enxaqueca porque tomam anticoncepcional, medicamento que favorece a formação de trombos”, afirma Queiroz Neto. Outro fator que contribui com a maior prevalência da enxaqueca entre elas, comenta, são flutuações dos hormônios sexuais. Independente do sexo, toda pessoa com mais de 35 anos deve fazer periodicamente exames de sangue. “É o primeiro passo, a um custo bastante baixo, para evitar graves doenças nos olhos, hiperglicemia e descontrole do nível de colesterol”, comenta.  Para evitar crises de enxaqueca recomenda:

- Incluir na alimentação banana, aveia, abacate e folhas verde-escuro como a couve e o espinafre por serem ricos em magnésio, substância que evita a contração involuntária dos músculos e outros tecidos.

- Evitar o consumo excessivo de fermentados:  vinho, queijo, iogurte e pães que contem tiramina e por isso aumentam a chance de crises.

- Evitar temperos industrializados, embutidos e outras fontes de glutamato monossódico e nitrato, outras duas alavancas da enxaqueca

- Selecionar adoçantes sem aspartame.

- Praticar atividades físicas para aumentar a produção de serotonina.

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier