22 de Jun de 2018

Quase um terço dos bebês prematuros sofre de retinopatia da prematuridade, doença que pode levar à cegueira crianças nascidas com peso inferior a 1.500 gramas ou antes de 32 semanas de gestação. Só no Estado de São Paulo, são quase mil casos novos todos os meses. É o que mostra uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 4.000 bebês prematuros atendidos no Hospital São Paulo, que apontou uma incidência de 30% da retinopatia da prematuridade, a segunda maior causa de cegueira infantil, perdendo apenas para as infecções.

Nos prematuros, os vasos sanguíneos da retina, parte do sistema nervoso central, são muito imaturos. Fora do útero materno, começam a se desenvolver de maneira anormal causando hemorragias e descolamento da retina, que leva à cegueira. No Brasil, os médicos tem detectado um aumento da doença, ainda sem números conclusivos, em razão do maior índice de sobrevivência de prematuros nas UTIs neonatais. Embora na maioria dos casos a doença não evolua para a cegueira, é fundamental que o bebê faça o exame de fundo de olho no primeiro mês de vida.

Porém, a falha de encaminhamento precoce pelos pediatras e a falta de preparo de muitos oftalmologistas para fazer o diagnóstico e o tratamento corretos tem sido responsáveis pela grande quantidade de crianças cegas no país em razão dessa doença, segundo a médica Dra. Nilva Moraes, que elaborou a pesquisa e coordena o ambulatório da retina do Instituto da Visão, ligado à Unifesp.

Diagnóstico precoce

Dos bebês que tem retinopatia, 5% acabam ficando cegos. Com diagnóstico e tratamento precoces, somente 0,5% dos bebês sofrem as sequelas da doença. A partir do segundo mês, a chance de deslocamento total da retina sobe para 15%. "Quanto mais prematuros, maior é a chance de ter a doença. E quanto mais tarde for feito o diagnóstico, maior o risco de ficar cego." Em mais de 80% dos casos, a doença regride de forma espontânea.

Semanalmente, o ambulatório atende 40 bebês de todo o país, muitos ainda na incubadora. Pelo menos dois deles já chegam com deslocamento de retina, situação que pode levar à baixa visão ou à cegueira. De acordo com Moraes, no ambulatório, a incidência da doença é de 60%. "É uma amostra viciada porque recebemos bebês vindos de todos os tipos de serviço, muitos com diagnóstico tardio", diz. Os bebês que são prematuros que necessitam de níveis altos de oxigênio e aqueles que tiveram infecções generalizadas (sepsis) tem maior risco de ter a doença.

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.diariodanoticia.com.br