23 de Nov de 2017

Tecnologia inédita no Brasil faz exame detalhado da lágrima que interfere na visão e nos resultados das cirurgias de ceratocone, refrativa e catarata.

A poluição típica da primavera somada à baixa umidade do ar faz 12% dos brasileiros sofrerem com a síndrome do olho seco. Mulheres e idosos são os grupos de maior risco, mas a disfunção da lágrima também acontece entre jovens. Uma pesquisa online feita pelo oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto com 315 portadores de ceratocone, doença que afina e faz a córnea tomar a forma de um cone, mostra que neste grupo a incidência de olho seco chega a 24%, o dobro da população geral. A boa notícia é que o especialista acaba de trazer para o Brasil uma nova tecnologia capaz de diagnosticar até casos assintomáticos da síndrome. O equipamento foi lançado no início deste mês em Lisboa durante o congresso da European Society of Cataract & Refractive Surgery (ESCRS). O médico afirma que substitui o diagnóstico subjetivo por avaliações objetivas que podem ser visualizadas pelo paciente. A avaliação contém informações das alterações nas três camadas da lágrima – mucina, aquosa, lipídica – e das glândulas de meibomio responsáveis por 80% da camada lipídica do filme lacrimal.

Qualidade de visão

Queiroz Neto conta que a possibilidade de ver a melhora da disfunção lacrimal durante o acompanhamento médico do olho seco tem estimulado a adesão ao tratamento entre europeus assintomáticos. Para ele, o mesmo deve acontecer por aqui porque toda pessoa fica estimulada a seguir um tratamento quando consegue enxergar a melhora. Em quem apresenta sintomas, afirma, o olho seco causa coceira, queimação, olhos vermelhos e irritados, sensibilidade à luz, desconforto para dirigir, trabalhar no computador, ler e ver televisão. Tanto nos casos sintomáticos como nos assintomáticos, o oftalmologista afirma que a falta de lágrima deixa a visão embaçada além de poder desencadear alergia, conjuntivite, inflamação na córnea e danos nas glândulas de meibomio.

“Mesmo que não cause outras doenças, o olho seco causa perda da visão funcional. Por isso, compromete o resultado das cirurgias de ceratocone, refrativa e catarata”, pontua. Para quem tem ceratocone, a coceira nos olhos é o principal fator de risco evitável da progressão da doença.

Colírio e cirurgia preventiva

O oftalmologista destaca que a maioria das pessoas com olho seco acreditam que podem usar qualquer lágrima artificial e por isso pioram a síndrome. “Os colírios com conservante podem tornar o problema crônico porque algumas pessoas são alérgicas”, afirma. A reação é ainda mais frequente em quem tem ceratocone. Isso porque na pesquisa feito pelo médico 50% dos participantes tinham algum tipo de alergia contra 20% a 30% da população. A dica é escolher lágrima artificial sem conservante ou com conservante virtual que desaparece quando em contato com a superfície do o olho”, afirma.

A única cirurgia que previne a progressão do ceratocone, pondera, é o crosslink – associação de vitamina B2 (riboflavina) e radiação UV (ultravioleta) para aumentar a resistência da córnea em até três vezes. A má notícia é que este tratamento não pode ser feito em ceratocone avançado. O especialista diz que cicatrizes na córnea sinalizam que já passou da hora de tenta evitar a progressão.

Lente escleral

A evolução do ceratocone pode dificultar a adaptação de lente de contato rígida para corrigir ao ceratocone. Segundo Queiroz Neto, uma alternativa pode ser a lente escleral que invés de ficar apoiada na córnea se apoia na esclera, parte branca do olho. Outras vantagens deste tipo de lente são a maior estabilidade no olho, a diminuição da evaporação da lágrima e, consequentemente do olho seco, além de reter menos corpos estranhos.

Anel intracorneano

Quem não consegue uma correção visual satisfatória com lente de contato deve consultar um oftalmologista sobre o implante de anel intracorneano. Trata-se de um implante na camada interna da córnea, o estroma, para aplanar seu formato.

Transplante

Queiroz Neto afirma que o ceratocone responde por sete em cada dez transplantes de córnea no Brasil, apesar de todos avanços de tratamento e cirurgia que podem evitar o procedimento. A cirurgia manual exige três vezes mais tempo de recuperação e número de pontos, mas ainda é a mais realizada no país. "O primeiro passo para manter a integridade do olho é consultar o oftalmologista periodicamente e ter a máxima atenção com a lubrificação ocular", conclui Queiroz Neto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Penido Burnier