26 de Set de 2017

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O desenvolvimento de implantes artificiais ligados à oftalmologia tem sido uma porta para tentar resolver problemas de visão de milhões de pessoas. Agora, os cientistas do Instituto Italiano de Tecnologia, desenvolveram uma prótese totalmente orgânica que, em laboratório, devolveu a visão de ratos transplantados. Esta é uma ótima notícia pois os bons resultados poderão, até final do ano, levar a equipe a experimentar este procedimento em humanos.

Segundo o artigo da Science, este implante tem a capacidade de converter a luz em sinais elétricos. Estes sinais estimulam os neurônios da retina, sendo por isso uma esperança para milhares de pessoas que sofrem com degeneração retiniana, como a retinite pigmentosa, em que as células fotorreceptoras morrem, tendo impacto na visão periférica, central e na discriminação de cores.

A retina é uma parte do olho dos vertebrados responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. Em cada retina há cerca de 120 milhões de fotoreceptores responsáveis por captar a luz que chega nos olhos. Havendo uma mutação em qualquer um dos 240 genes identificados relacionados à retina pode causar a degeneração retiniana. Nesses casos, as células da retina são afetadas, mas as células nervosas ao redor da retina continuam intactas, o que permite que este implante do Instituto Italiano de Tecnologia seja de fato uma solução.

Mas como é constituído o implante?

O implante é feito de uma camada fina de um polímero condutor, colocado numa base e coberto por um polímero semicondutor. Este polímero semicondutor age como um material fotovoltaico, absorve os fotóns quando a luz penetra na lente dos olhos. Quando isso acontece, a eletricidade estimula os neurônios retinianos, preenchendo a falha que existe na retina do paciente. Esta retina artificial foi já implantada nos olhos de ratos geneticamente selecionados para desenvolver degeneração retiniana. Trinta dias depois da cirurgia, os ratos estavam recuperados e os pesquisadores procederam a vários testes para verificar a sensibilidade à luz, comparando o reflexo pupilar dos ratos transplantados com os reflexos de ratos saudáveis e de ratos com a degeneração que não foram integrados no processo de transplante.

Resultados dos testes são positivos

Os resultados mostraram aos cientistas que com a baixa intensidade de 1 lux (o equivalente à luz da lua cheia), os ratos tratados não mostravam resultados muito melhores que os ratos sem tratamento. Contudo, quando os ratos foram expostos a uma maior luminosidade, cerca de 4-5 lux (a luminosidade do céu crepuscular), mostravam resultados semelhantes aos animais saudáveis. Dez meses após a cirurgia, os investigadores voltaram a testar nos ratos o mesmo procedimento e verificaram que o implante ainda se mostrava eficaz, mas todos os participantes (saudáveis, tratados e não tratados) apresentaram perda visual por conta da idade mais avançada.

Recorrendo a um dispositivo de tomografia para monitorar as atividades cerebrais dos ratos, durante os testes de sensibilidade à luz, os investigadores repararam que havia uma melhoria na atividade do córtex visual primário, que processa a informação visual. Com base nos resultados, os investigadores concluíram que o implante ativa diretamente os circuitos neurais residuais da retina degenerada, mas serão necessárias novos estudos para poder explicar exatamente como a estimulação funciona ao nível biológico.

"Esperamos replicar em seres humanos os excelentes resultados obtidos em modelos animais. Planejamos realizar os primeiros ensaios humanos no segundo semestre deste ano e reunir resultados preliminares durante 2018. Este implante poderia ser um ponto decisivo no tratamento de doenças retinianas extremamente debilitantes", referiu um dos pesquisadores, o oftalmologista Dr. Grazia Pertile do Sagrado Coração Don Calabria, em Negrar, Itália.

 

 

 

 

Fonte: Ler Para Ver