17 de Dez de 2018

Risco está relacionado ao mau uso de repelentes, inflamação intraocular e queda de plaquetas. Entenda

Dados do Ministério da Saúde mostram que de janeiro a agosto deste ano foram contabilizados no Brasil 190 mil casos de dengue, 6 mil de zika e 68 mil de chikungunya. Em relação ao mesmo período de 2017 tiveram quedas de 5%, 57% e 60%, respectivamente. O problema, segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto, é que a chegada de dias mais quentes e chuvosos aumenta a proliferação do mosquito Aedes aegypti que transmite as três doenças. Para evitar a contaminação as duas principais recomendações são evitar o acúmulo de água parada nas áreas externas e usar repelente.

Risco dos repelentes

Queiroz Neto adverte que a aplicação incorreta de repelente pode causar conjuntivite tóxica, alergia e úlcera na córnea. É por isso, comenta, que todos os fabricantes indicam evitar o contato com os olhos, independente do princípio ativo do produto.

As principais orientações do especialista para prevenir complicações oculares são:

Proteja os olhos com óculos quando usar aerossol. Lave sempre as mãos após o uso, inclusive de produtos em spray. Nunca utilize no rosto ou mãos. Evite coçar ou levar a mão aos olhos. Alérgicos devem testar a sensibilidade à composição, aplicando uma pequena quantidade no antebraço. Irritação da pele ou alterações nas vias respiratórias exigem troca do produto para evitar reação em cadeia nos olhos.

Em caso de contato acidental com a mucosa ocular a dica do oftalmologista é lavar o olho abundantemente com água filtrada e consultar um oftalmologista se o desconforto não desaparecer em dois dias.

Sintomas e tratamentos

“Tanto a conjuntivite tóxica como a alergia ocular causam os mesmos sintomas – coceira, vermelhidão, sensibilidade à luz, lacrimejamento e pálpebras inchadas – mas os tratamentos são diferentes”, afirma o médico. Na conjuntivite tóxica, observa, só o afastamento do produto e uso de colírio lubrificante pode ser suficiente para eliminar o desconforto. “Já a alergia requer tratamento com colírio anti-histamínico. Também é muito importante não coçar os olhos porque isso aumenta a produção de histamina na região dos olhos e leva à piora da coceira”, explica.  Caso o repelente cause dor ocular intensa, vermelhidão, queda visual, lacrimejamento e secreção amarelada indica úlcera na córnea que deve ser tratada com colírio antibiótico e corticóide sempre sob supervisão médica. Dependendo da gravidade, ressalta, pode levar a uma diminuição permanente da visão.

Zika

Queiroz Neto destaca que estudos mostram que o vírus Zika transmitido pelo Aedes pode causar em adultos uveíte, uma inflamação intraocular que pode desencadear glaucoma. O tratamento padrão com colírio corticóide também elimina a doença causada por zika. Já a transmissão do vírus ao feto através da placenta durante a gestação gera lesões na retina e nervo óptico que provocam a perda da visão nos bebês.

Dengue

Queiroz Neto afirma que os maiores risco da dengue para a visão são é a queda de plaquetas que aumenta a chance de uma hemorragia intraocular e a trombose em vasos da retina decorrente do depósito de anticorpos nas paredes das artérias do olho. Por isso, após o diagnóstico de dengue a recomendação é passar por um exame oftalmológico mesmo que não perceba qualquer alteração nos olhos. Para quem já teve dengue e é contaminado novamente o médico indica tomar a vacina para prevenir maiores complicações.

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier