22 de Out de 2018

Os países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre eles o Brasil, estabeleceram como meta reduzir a prevalência de deficiências visuais evitáveis em 25% de 2010 a 2019. Pesquisas mostram que este objetivo está cada vez mais distante de ser alcançado. Em 2010 a estimativa do Global Visual Databases (GVD), banco de dados de estudos populacionais continuamente atualizado, era de 32,4 milhões de pessoas cegas e 191 milhões com deficiência visual moderada e grave no mundo. No final de 2017 estes números saltaram respectivamente para 36 milhões e 217 milhões segundo a OMS.

Paralelamente, no Brasil o censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou 35,8 milhões de brasileiros com dificuldade leve e moderada de enxergar, 6,6 milhões com deficiência visual severa e 506,3 mil cegos. Cinco anos depois, o censo 2015 do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicou um salto para 746 mil brasileiros que não enxergam de maneira alguma.

Este crescimento tem uma relação direta com o envelhecimento e crescimento populacional. Isso porque, de acordo com a OMS 81% das pessoas cegas, com deficiência visual moderada ou grave têm mais de 50 anos. Além disso, globalmente, as doenças oculares crônicas que surgem em decorrência do envelhecimento são a principal causa da perda da visão. No Brasil o aumento da deficiência visual e perda da visão supera a de muitos países porque a velocidade do envelhecimento populacional no país é maior. Para se ter ideia, hoje são 29,4 milhões de brasileiros acima dos 60 anos, o que corresponde a 14,3% da população. Em 2030 a população nesta faixa etária deve chegar a 41,5 milhões, e superando pela primeira vez as 39,2  milhões de crianças de zero a 14 anos. Significa que esta transição demográfica que levou 180 anos na Europa deve acontecer em metade do tempo no país. Por isso, os problemas de visão estão entre as principais questões globais da saúde pública.

No Brasil como no restante do mundo os erros de refração não corrigidos e a catarata não operada são as duas principais causas de deficiência visual. Isso explica porque a estimativa da OMS é de que 80% dos casos de cegueira e deficiência visual grave são evitáveis. Entre brasileiros, a catarata não operada responde por 49% dos casos de perda da visão segundo levantamento do CBO, contra o índice global de 35% apontado pelo GVD. O país é o primeiro no ranking de cegueira por catarata porque nos últimos 10 anos a população com 60 anos ou mais, faixa etária em que surge a doença, passou de 11,5 milhões para 29,4 milhões, enquanto as cirurgias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que responde por 65% dos procedimentos realizados no país passou de 286 mil para 482 mil cirurgias, conforme relatório do DATASUS, ficando, portanto, bem abaixo da demanda.

Outro agravante é o fato das doenças oculares crônicas que surgem com o envelhecimento estarem relacionadas, na maioria dos casos, a outras doenças sistêmicas como o diabetes e hipertensão que estão em ascensão no Brasil, segundo levantamento do Ministério  da Saúde. O GVD também chama  a atenção para a falta de correção visual da presbiopia ou vista cansada, destacando que nas atividades que exigem boa visão de perto a presbiopia moderada é bastante incapacitante e portanto não pode ser banalizada.

Uma evidência desta banalização no Brasil foi o resultado de uma ação social realizada em 2017 pelo Instituto Penido Burnier em parceria com a ONG Internacional, OneSight, para distribuir consultas e óculos gratuitos à população de menor renda. Entre os mais de 3 mil participantes que necessitaram de óculos 18% afirmaram que tinham engavetado uma receita anterior por falta de condições financeiras para efetuar a compra. O problema é que estudos mostram que os problemas de visão reduzem em até 20% a produtividade.

Outra evidência da banalização da importância da visão entre brasileiros foi evidenciada em um programa social desenvolvido pelo hospital em parceria com empresas do setor óptico com 36 mil crianças de escolas públicas. Dos participantes 70% nunca tinham consultado um oftalmologista, embora muitas apresentassem graus elevados de vício de refração. A iniciativa contou com uma pesquisa pioneira no país que mensurou a importância dos óculos um ano após a doação.

O resultado do levantamento apontou que para professores 51,1% passaram a desenvolver atividades que antes não conseguiam, 57% ganharam mais concentração, 49% passaram a finalizar tarefas que antes não terminavam e 36,2% ficaram menos agitadas. Na avaliação dos pais 88% ganharam  maior interesse pelos estudos e capacidade de concentração, 100% das que sentiam dor de cabeça pararam de se queixar, 68% não se incomodaram em usar óculos e 91% passaram a realizar tarefas que antes não conseguiam.

Isso explica porque no Brasil a falta de óculos responde por 53% das deficiências visuais. Outras importantes causas  de deficiência visual apontadas pela OMS são:

• catarata não operada, 25%;

• degeneração macular relacionada à idade, 4%;

• glaucoma, 2%;

• retinopatia diabética, 1%.

As principais causas globais de perda da visão são:

• catarata não operada, 35%;

• erro refrativo não corrigido, 21%;

• glaucoma, 8%.

Só o exame oftalmológico periódico e o acesso aos óculos  pode reduzir estes índices. O problema é que a maioria das doenças oculares só são percebidas em estágio avançado e a diminuição da visão pode ser irreversível quando afeta o fundo do olho como as retinopatias e glaucoma.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier