17 de Ago de 2018

Além de rejuvenescer, a cirurgia diminui o astigmatismo e melhora a visão funcional. Saiba como manter a beleza dos olhos

A notória beleza da mulher brasileira não é suficiente para que muitas se sintam bonitas. Nem a crise econômica diminui o cuidado feminino com a própria aparência. Prova disso são os dados da última pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISAPS) divulgado em junho de 2017. A pesquisa mostra que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking global de cirurgias plásticas e está à frente inclusive do Japão, respondendo por 10,7% de todos os procedimentos realizados no mundo. Apesar da crescente adesão da população masculina aos tratamentos estéticos, a demanda feminina ainda corresponde a 86,2% das cirurgias.

Entre as mais procuradas a pesquisa aponta em terceiro lugar a blefaroplastia que reposiciona a pálpebra, elimina bolsas e rugas mais profundas ao redor dos olhos. Segundo o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto a boa notícia é que além de rejuvenescer a plástica na pálpebra melhora a lubrificação dos olhos, a vermelhidão e até o astigmatismo. Esta é a conclusão de um estudo americano que acompanhou por 12 meses quinze cirurgias. Os pesquisadores contam que logo após o procedimento o astigmatismo se agravou. Mas um ano depois a visão ficou melhor que antes do procedimento para 72% dos participantes.

Peso da pálpebra traumatiza a córnea

Queiroz Neto explica que a piora do astigmatismo logo após a plástica está relacionada ao edema da pálpebra que geralmente desaparece em até uma semana. “Há evidências de que existe uma correlação entre as anomalias da pálpebra superior com as alterações na superfície da córnea, lente externa do olho”, afirma. Não é para menos. O médico explica que no sistema ocular o músculo elevador é responsável pelo levantamento da pálpebra superior sobre a córnea em torno de 20 mil vezes ao dia. O envelhecimento pode causar o afrouxamento deste músculo, o excesso de pele e a formação de bolsas de tecido adiposo nas pálpebras que naturalmente ficam mais pesadas. Resultado: traumatiza a córnea e torna sua superfície irregular. “Esta é a característica do astigmatismo, vício de refração que torna as imagens desfocadas para perto e longe”, esclarece.

Idade triplica astigmatismo

Não por acaso, um levantamento feito pelo oftalmologista nos prontuários de 1,1 mil pacientes do hospital com idade entre 60 e 75 anos mostra que 418,38%, apresentavam astigmatismo. A prevalência cresce quanto mais avançada é a idade. Os prontuários demonstram que chega a 51% dos que têm de 70 a 75 anos. Entre jovens, comenta, não passa de 10% a 15%. Por isso, para o especialista a correção da pálpebra caída não deve ser adiada. “A redução do astigmatismo proporcionada pela cirurgia plástica, melhora também a visão funcional. Isso porque, diminui a fotofobia (aversão à luz) e o ofuscamento, melhora a rapidez de leitura, a capacidade de adaptação em diferentes níveis de iluminação, a percepção de profundidade, cores e contraste”, avalia. Por isso, pode melhorar a qualidade da visão inclusive de quem já operou a catarata.

Nova lente aumenta correção do astigmatismo

Queiroz Neto ressalta que a mais nova geração de lente intraocular tórica corrige simultaneamente a catarata, presbiopia e até 6 graus de astigmatismo contra 3 graus da primeira geração deste tipo de lente. Significa que para a maioria das pessoas a nova lente elimina a necessidade de usar óculos após a cirurgia de catarata, desde que os olhos não fiquem expostos a outros fatores que podem alterar a refração, como é o caso das pálpebras caídas.

Como é feita a cirurgia

O especialista afirma que a plástica é realizada sob anestesia local e a técnica varia conforme a avaliação prévia de cada paciente. As incisões podem ser feitas atrás da pálpebra visando eliminar cicatrizes, tanto para a pálpebra superior como para a inferior. Quando não é possível usar esta técnica, as incisões são feitas próximas aos cílios inferiores ou na cavidade da pálpebra superior para que fiquem escondidas. No mesmo dia é possível ir para casa, mas a recomendação é diminuir o ritmo nas primeiras 48 horas, fazer compressas frias com água filtrada para diminuir o edema, seguir rigorosamente a prescrição médica e usar óculos com filtro ultravioleta por dois meses para evitar manchas na pele.

Prevenção

Não dá para evitar o envelhecimento, é claro, mas alguns cuidados simples ajudam a manter a beleza dos olhos. As principais dicas de Queiroz Neto são:

  • Olheira: a dica número 1 é não expor a pele da região dos olhos ao sol sem um bom filtro solar físico, os óculos solares com lentes que filtrem 100% da radiação ultravioleta. A receita de avó como usar compressas frias de chá de camomila funciona. Para eliminar olheiras leves os cremes que contém vitamina C e E são os mais indicados. A dica para pessoas alérgicas que costumam ter olheiras causadas pela maior vascularização sob os olhos é usar um  creme que contenha vitamina K1. Olheira decorrente de pigmentação da pele por exposição ao sol sem filtro solar podem ser combatidas por fórmulas contendo hidroquinona, arbutin ou ácido fítico.
  • Pálpebra caída: você pode diminuir o risco com três cuidados diários: nunca durma maquiada, hidrate bem a pele pelo ao redor dos olhos pelo menos duas vezes ao dia, especialmente antes de ir dormir e proteja a região dos olhos com óculos solares nas atividades externas.
  • Bolsas: podem ser hereditárias, causadas por doenças sistêmicas como o hipotireoidismo. uso contínuo de corticóide e pelo hábito de esfregar ou cocar os olhos. Por isso, evite coçar e sempre passe seus cremes com movimentos suaves. A pele ao redor dos olhos é 20 vezes mais fina que do restante do corpo.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de comunicação do Instituto Penido Burnier