23 de Nov de 2017

Ceratocone e ceratite, infecção na córnea por mau uso de lente de contato, são as principais causas. Novas terapias podem reduzir o número de cirurgias

O brasileiro tem pouco a celebrar no dia da saúde ocular comemorada esta semana no Brasil. A maior parte da população não coloca os olhos na lista de check-up da saúde. De acordo com o oftalmologista Dr. Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier na adolescência e juventude os grandes vilões são o ceratocone doença degenerativa que afina e deforma a córnea, além da ceratite, maior causa de cegueira infecciosa no mundo que atinge a córnea pelo uso incorreto de lente de contato.

transplante cornea

Os relatórios da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), apontam que no primeiro trimestre deste ano foram realizados 3811 transplante de córnea no país, a maioria em jovens com ceratocone e ceratite. São  10% a mais que os 3471 feitos no mesmo período de 2016. O médico explica que no início do ceratocone a correção visual pode ser feita com óculos, mas conforme a doença evolui é necessário substituir por lentes de contato rígidas.

Um recente levantamento feito por Queiroz Neto com 315  portadores de ceratocone mostra que os erros mais comuns na manutenção  das lentes cometidos por este grupo são: 18% as vezes dormem com a lente; 36% desconhecem que devem lavar as mãos antes de manipular as lentes; 80% não trocam o estojo a cada 4 meses; 54% guardam a lente no banheiro e expõem a córnea a risco de contaminação.

As dicas do médico para evitar complicações com lentes de contato são:

Fazer a adaptação com um oftalmologista
Lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes
Utilizar solução higienizadora tanto na limpeza quanto no enxágue das lentes e estojo
Friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos
Não usar soro fisiológico ou água na higienização
Retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo
Colocar as lentes sempre antes da maquiagem
Guardar o estojo em ambiente seco e limpo
Trocar o estojo a cada quatro meses
Respeitar o prazo de validade das lentes
Jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno
Interromper o uso a qualquer desconforto ocular e procurar o oftalmologista
Retirar as lentes durante viagens aéreas por mais de três horas
Não entrar no mar ou piscina usando lentes.

Novas terapias

A boa notícia é que segundo um estudo publicado no British Journal of Ophthalmology o crosslink,  reticulação que associa riboflavina (vitamina B12) e radiação UV (Ultravioleta) para aumentar a resistência da córnea no ceratocone, também pode ser aplicado com sucesso em ceratites, desde que o tratamento seja feito no início da infecção. Outra novidade em desenvolvimento para tratar a ceratite é um composto de nanopartículas que aumenta a eficácia dos colírios já existentes.

Na infância

Queiroz Neto afirma que a falta de prevenção facilita a perda da visão até em crianças. A estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é de que 15 milhões de crianças em idade escolar tenham problemas de visão. Embora menos comum na infância, o ceratocone também atinge crianças. O médico conta que um pré-adolescente foi diagnosticado com a doença  na face posterior da córnea através da tomografia que analisa as duas faces.

Os cuidados com a visão das crianças devem começar bem antes da fase escolar. "Nossos olhos se desenvolvem até a idade de 7 anos e qualquer bloqueio neste período pode se transformar num problema irreversível", afirma. O oftalmologista adverte que as doenças congênitas como catarata, glaucoma e retinoblastoma precisam ser diagnosticadas pelo teste do olhinho, logo que o bebê nasce para não se tornarem problemas permanentes. Já a primeira consulta oftalmológica recomenda aos 2 anos quando os pais usam óculos ou aos 3 anos quando não usam. Isso porque, explica, um olho pode ter menor desenvolvimento que o outro e se não for estimulado com a oclusão do outro olho a criança é candidata à cegueira monocular por olho preguiçoso ou ambliopia. Em um projeto social desenvolvido pelo hospital com 37 mil crianças 8% foram diagnosticadas com ambliopia quando a estimativa nacional é de 4%.

 

 

 

 

 

Fonte: Assessoria de Comunicação do Instituto Penido Burnier