Óculos ou lentes de contato não são as únicas formas de tratamento para correção da presbiopia, a popular vista cansada, que atinge 40% da população mundial. No Brasil, são 50 milhões de pessoas com o problema. Uma das formas de combater este mal é a utilização da radiofreqüência para correção da presbiopia, associada ou não à hipermetropia e astigmatismo. Inclusive aprovada pelo Food and Drug Administration (FDA), órgão americano responsável pela aprovação e liberação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos.

A vista cansada é a perda da capacidade de acomodação do cristalino - lente capaz de focar, milhões de vezes ao dia, um objeto distante ou próximo, desde o nascimento até os 40 anos de idade. Nesta faixa etária, explica o oftalmologista Etelvino Teixeira Coelho, o cristalino começa a se aproximar do músculo ciliar, reduzindo a capacidade elástica e fazendo com que a pessoa necessite afastar o material de leitura para colocá-lo no foco. De acordo com o médico, dos 40 aos 60 anos, essa perda é progressiva, podendo começar com 0,5 grau e finalizar com três.

Não há prevenção para o defeito visual, mas Etelvino Coelho afirma que o tratamento cirúrgico da presbiopia é eficaz. Na década de 90, o médico californiano Antonio Mendez propôs a ceratoplastia condutiva, técnica que consiste na aplicação de calor sobre as fibras de colágeno da córnea para correção do problema visual. O oftalmologista ressalta que a aplicação é feita apenas no olho dominante para perto - aquele que se fecha para fazer uma foto -, e não queima as fibras, apenas as coagula, com efeito duradouro e preciso. Um estudo conduzido desde 90, nos Estados Unidos, segundo ele, mostrou um índice de satisfação de 94% nos pacientes que se submeteram ao procedimento. 

Uma pequena sonda acoplada ao aparelho de radiofreqüência conduz energia durante um determinado tempo e penetra no tecido corneano a 400 micras (milésimo do milímetro) de profundidade, aplicando 60 graus de calor sobre as fibras de colágeno da córnea, encurtando-as e encurvando a superfície anterior. São aplicados oito, 16, 24 ou 32 pontos, de acordo com a quantidade de grau apresentado pelo paciente. "A radiofreqüência tem efeito duradouro, mas o olho continua a envelhecer, sendo necessárias novas sessões a cada três ou cinco anos", afirmou Etelvino Coelho. 

O procedimento é indolor, feito no consultório em sala cirúrgica estéril, sob anestesia com gotas de colírio. A aplicação é feita em três minutos, e, conforme o oftalmologista, o olho é protegido durante 12 horas com lentes de contato terapêuticas (sem grau) para conforto no pós-operatório.

Antes da cirurgia, o paciente deve se submeter a exames de refração, medida de pressão intra-ocular, biomicroscopia de córnea, topografia corneana, e microscopia especular da córnea - exames que confirmam se a pessoa é candidata à radiofreqüência. O procedimento é contra-indicada aos portadores de ceratocone - alteração de curvatura da córnea -, seqüelas ou cicatrizes que comprometam a transparência corneana.

A empresária Carolina Stradioto Mansur, 43 anos, fez a cirurgia há 30 dias e abandonou de vez o uso dos óculos. "Nunca tive problema visual, e acho que incomodava ter que andar sempre com os óculos". Ela conta que teve uma rejeição inicial e precisou usar antibiótico (colírio) e lente para proteção por uma semana, para se adaptar à claridade. "Fiquei com visão turva e dupla. Hoje tenho um vulto leve, mas o médico disse que é comum. Nada que me fizesse arrepender da cirurgia".